domingo, 8 de dezembro de 2013

Comunistas e tecnologia, uma réplica definitiva

Por André,

 
O fenômeno das contradições entre teoria e prática da esquerda é velho, bem documentado (pela literatura 'comum', pela literatura técnica e até pelo humor) e mundialmente conceitualizado (gauche caviar na França, socialiste champagne na Inglaterra, liberal limusine na América ou radical chic na Itália) e conhecido. No Brasil, o livro Esquerda Caviar de Rodrigo Constantino documenta o fenômeno. Basicamente é aquele pessoal que 'odeia muito tudo isso' (isto é, o capitalismo), mas não abre mão nem em pesadelos de 'tudo isso'. Férias dos filhos na Disney, viagem com a esposa pra Paris, as melhores iguarias dos melhores restaurantes e a lista segue...

Em resenha do livro do Constantino, aludi ao fato problemático que é evidenciar essa contradição à mentalidade esquerdista. Explicar o que é uma contradição e mostrar a um comunista que ele a comente é uma tarefa árdua; inglória para dizer a verdade, pois o mesmo não vê contradições, e incoerências entre suas ações e seus referenciais teóricos e aqueles poucos que veem, encaram o fenômeno como combustível para agir mais (mais referências a estes fenômenos constam na resenha).

Ainda na resenha, citei uma frase de Sakamoto: "ser de esquerda não é fazer voto de pobreza". Hoje, Diego Quinteiro encheu o peito pra falar que é "de esquerda, socialista, feminista e ateu" e que tem um iPhone (não ter um já é vandalismo...) e vai jogar video-game (e isso 'incomoda' alguém 'profundamente'), um gordinho "popular de internet" jamais me incomodaria. Mas incoerências, essas sim, me incomodam MUITO.

Afinal de contas, comunista pode usar tecnologia? A tecnologia é "do capitalismo"?

Respondo primeiro a última pergunta: qual a relação do capitalismo com a tecnologia? Esta última é propriedade do primeiro? Afirmo que não. A tecnologia é, em primeiro lugar, propriedade das mentes individuais que a criaram; sem a ideia original não existiriam. Portanto, concordo com Diego: "A tecnologia não é produto do capitalismo, não se engane. Ela é produto da mente humana e do progresso da ciência". A tecnologia é produto de mentes de homens livres, criativos e empreendedores (e surgem apenas em ambientes que permitem coisas desse tipo). O romance Anthem de Ayn Rand aborda esse tema.

A relação da tecnologia com o capitalismo é de outra ordem: o capitalismo banaliza o acesso à tecnologia (com o tempo, toda tecnologia é barateada pelo livre mercado). Não é coincidência que apenas em países que, ainda que a trancos e barrancos, pratiquem capitalismo, comunistas como Diego Quinteiro possam possui-la. Quantos cidadãos de países como Cuba ou Coreia do Norte dispõem de renda e variedade tecnológica para dispor de produtos da Apple a seu bel-prazer?

Portanto, a questão é mais simples e mais uma vez os comunistas não entendem ou ignoram o teor real da objeção a "comunistas de Rollex". A tecnologia não é propriedade do capitalismo (ela é consequência do ambiente fomentado pelo capitalismo, eu diria). Mas esta ou aquela tecnologia é (o iPhone, para manter o exemplo). Quando algo é produto de uma ideologia que você discorda, há várias posturas a se tomar. Por exemplo, sou contra o estatismo; mas as ruas (os exemplos pululam: correios, polícia etc. etc.) são do Estado e são financiadas com o dinheiro dos meus impostos, por mais que ruas públicas sejam fruto de uma ideologia da qual discordo, não me resta outra opção senão usá-las, ainda mais porque paguei por elas à força.

E então, comunista pode usar tecnologia? Um iPhone é produto de uma ideologia que você como todo comunista quer destruir, é oriundo de um país do que todo comunista sente ojeriza; você não contribui de maneira forçosa para sua produção e não é obrigado a comprá-lo (em nenhum sentido, nem pela empresa nem por uma necessidade vital). Sacaram a diferença e por que comunista de iPhone é uma contradição ambulante, camaradas?

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