terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Lobão no Roda Viva e os Black Blocs "de direita"

Por André,

O cantor, compositor e escritor Lobão esteve no Roda Viva da TV Cultura no dia de ontem. O vídeo da entrevista já se encontra disponível (e com um número elevadíssimo de visualizações):


Muita gente da nova direita oba-oba facebuquina aclamou a presença de Lobão no programa, outros se desapontaram. O fato é que não há motivo para nenhuma das duas reações, como bem apontou Francisco Razzo esta manhã:

Nada como acompanhar a reação da “nova direita facebookiana” à entrevista de ontem do Lobão ao Roda Viva. Uns entusiasmadíssimos com sua presença, enquanto outros decepcionados com as respostas. Pô, molecada, Lobão não é um intelectual de grande porte cuja envergadura de raciocínio iria fulminar as capciosas perguntas dos entrevistadores sobre a ditadura e a esquerda. Ponha isso na cabeça: Lobão é Rock Roll, Lobão é a síntese artística desse período histórico de ascensão e declínio da esquerda e de declínio e ascensão da direita. Um lança-chamas que não “vai ficar tranquilo perdido na beira do abismo sangrando”. Exigir dele raciocínios impecáveis, um fio condutor de ideias filosóficas e históricas bem elaboradas e concatenadas a fim de refutar as objeções de entrevistadores mal-intencionados e mal preparados é como exigir que se toque Mozart em uma guitarra. Ou esperar de um Van Gogh um Ingres. Lobão vivencia o “pathos” puro da experiência de uma época, uma metralhadora intuitiva de ideias improvisadas e desconexas que refletem descobertas alucinantes e decepções desconcertantes sobre a própria vida da nossa cultura. Parem de ser bobocas pelo menos uma única vez na vida.
Aproveito e também cito meu comentário na postagem do querido Razzo:
Quem espera algo mais do Lobão tá meio perdidinho. O Lobão sempre foi, especialmente enquanto falante, aquilo da entrevista de ontem.Para mim o mérito do Lobão passa por ter "jogado a merda no ventilador" para assuntos antes limitados ao público do Olavo ou do Constantino (acadêmicos). A diferença de público nos lançamentos do livro do Constantino e até do Pondé e do Lobão foi nítida (estive em todas); o mérito é esse e apenas esse.

O fato curioso, engraçado e absurdo do programa se deveu ao esquerdista Alex Solnik, que durante a entrevista soltou a seguinte pérola: "pra mim os black blocs são de direita, inclusive por que andam mascarados" (aos 38'30'' do vídeo). Solnik, um senhor de idade, é um nada, um nada que cometeu, entre outras coisas, pérolas acerca de análise de moda dos trajes da direita.

Esta é a nata da ciência política nacional, meus caros. Até a Marilena Chaui já afirmou que os black blocs são 1) de esquerda e 2) fascistas (o que implica que nossa querida Marilena admite a existência de um fascismo de esquerda; tenho minhas dúvidas se a admissão foi intencional).


Tudo isso quando é evidente que os Black Blocs formam um grupo anarquista de esquerda, de prontidão para oferecer abraços calorosos aos camaradas comunistas. É, minha gente, a coisa tá feia. 'Equívoco' indesculpável para um matusalém que se presta a tratar de política.

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