segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Para a americana Andrea Nye a lógica é "machista"

Por André,


Sempre achei exagerado chamar esquerdismo de doença. Pensar no espectro político como algo com duas pontas, uma preta e outra branca, uma do bem e outra do mal, uma habitada por gente inteligente e moral e a outra por gente necessariamente burra e desonesta contribui para uma "orkutização" do debate, algo ainda pior em termos de Brasil, visto que por aqui o debate é naturalmente "orkutizado", além de costumar ser o expediente primeiro da própria esquerda.

A despeito disso, evidências arrebatadoras vêm depor em contrário: The Liberal Mind: The Psychological causes of political madness, de Lyle H. Rossiter, George Foster and Bob Spear, The Liberal Mind, de Lionel Trilling, Political Ponerology de Andrew M. Lobaczewski e Leftism: from de Sade and Marx to Hitler and Marcuse e outros títulos vêm argumentando sobre a perversão, esquizofrenia, histeria e outras psicopatias que afligem as mentalidades revolucionárias.

Contudo, a coisa não se limita a uma bibliografia técnica da coisa. Correr os olhos pelas publicações recentes das alas mais e mais à esquerda pode te fornecer evidências ainda mais arrebatadoras (e assustadoras - você vai precisar ler mais de uma vez para acreditar que é sério). Feministas, não contentes em fazer dos maiores nomes da literatura universal ou brancos machistas opressores (Shakespeare) ou revolucionárias anti-patriarcado (Jane Austen - mesmo que esta não fosse nem feminista nem contra o "patriarcado"), dispararam também contra a física! Sim, isso mesmo. Para a feminista Julia Kristeva (aquela turma que foi ridicularizada pela peça pregada por Sokal no periódico Social Text), o fato da mecânica dos fluídos ser pouco estudada se deve ao machismo dos físicos - pois é claro que "fluidos" são 'coisas de mulher' - e não à dificuldade com as equações que descrevem o fenômeno.

Pois bem, se elas não perdoaram a física, não perderam tempo em atacar algo ainda mais elementar e evidente que a própria física, a lógica! Isso mesmo, aquele ramo do conhecimento cujo corpo de afirmações é tão óbvio que nem mesmo compõe uma ciência para alguns, mas seria a própria "antessala" de todo e qualquer conhecimento (foi assim para Aristóteles e para Kant). De algum modo, dizer que A = A (princípio de identidade) é uma expressão machista e opressora (e, suponho, deva ser abolida). É verdade para homens brancos e gregos que uma caneta é uma caneta, mas no mundo muito louco do feminismo desvairado uma caneta pode ser um elefante.

Essa é a tese de Andrea Nye em seu livro "Palavras de Poder: uma interpretação feminista da história da lógica" - Words of Power: A Feminist Reading of the History of Logic. Leiamos a resenha do livro conforme a Amazon:
"Será a lógica masculina? Será que a falta de interesse das mulheres no "núcleo duro" nas disciplinas filosóficas da lógica formal e da semântica sintomas de uma inadequação ligada ao sexo? Será o fracasso das mulheres de se sobressair na matemática pura e ciência matemática uma função de suas incapacidades de pensar racionalmente? 

Andrea Nye desconstrói os pressupostos destas questões, pressupostos tais quais: a lógica é unitária, a lógica é independente das relações humanas concretas, e lógica transcende circunstâncias históricas assim como o gênero. Em uma série de estudos das lógicas das figuras históricas - Parmênides, Platão, Aristóteles, Zenão, Aberlardo, Ockham e Frege - ela traça a mudança das interrelações entre inovação lógica e estratégias do discurso opressivo, mostrando que a lógica não é uma verdade transcendente, mas formas abstratas de linguagem falada por homens, seja o cidadão governante grego ou os cientistas"
E percebam como essa retórica venenosa sempre vêm com um pacotinho de brindes ainda piores (ou este, muito provavelmente, é consequências daqueles): relativismo moral, estético, linguístico e cognitivo radical. Tudo é uma questão de opressão de um determinado grupo sobre outro. E as soluções são bastante claras: mais poder para o governo (que já é composto por gente que pensa assim e em breve será preenchido pelos gênios criadores de tais teses), mais dinheiro que fomentem pesquisas desse teor (como se todas essas "teorias" não pudessem ser resumidas em cinco linhas) e por último e ainda mais importante: apesar de todo o relativismo simpático, acolhedor e do bem, uma CENSURA ilimitada a qualquer um que ouse discordar dos gurus pós-modernos ou questionar suas aberrações intelectuais. Essa tal de verdade não existe, mas dar voz pra quem discorda de mim já é vandalismo.

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