terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Resposta ao texto "Contra a imbecilidade do atual anticomunismo" de Leonardo Boff

Por André,

Mandei o texto abaixo como comentário (que não sei se será aceito) ao texto do "grande jornalista" Santayana, publicado por Leonardo Boff em seu site (acrescentei links ao texto aqui):

O tal Mauro, eleito "um dos melhores jornalistas brasileiros", por você - pois nunca tinha ouvido falar do sujeito -; comete o mesmo erro que os direitistas pão-com-ovo que tenta ridicularizar.

Faz afirmações ousadas e não se dá ao trabalho de provar nenhuma, como se fossem fatos evidentes, inscritos na natureza.

Diz que as 100 milhões de mortes comunistas, devidamente documentadas pelo pesquisador americano Rudolph Joseph Rummel sao ilusorias. Provas de que se trata de uma fantasia? Nenhuma (se é para discutir fantasias, que tal falarmos do "Livro Negro do Capitalismo" que para caçar número equivalente, debita nas contas do capitalismo todas as mortes pelas duas Guerras?).
Negar todas as relações íntimas entre nazismo e comunismo soviético, tanto em método como em natureza, é de uma ignorância histórica sem limites. Diversos desertores relatam o fenômeno. Hannah Arendt liquida o assunto em seu clássico "As Origens do Totalitarismo" (inclusive documentando a presença do antissemitismo na URSS - sem falar da ideia de combate ao "fascismo judeu", presente na atmosfera da época). O conflito russo soviético posterior foi uma questão pragmática, ou a URSS aniquilava a Alemanha ou era o contrário, não há espaço para duas ideologias totalitárias por longo intervalo de tempo no mesmo sentido que não há possibilidade lógica para a existência de dois deuses onipotentes. A possibilidade de um aniquila a do outro.

Quanto à "farsa" do marxismo cultural, só pode se tratar de desonestidade (pois o grande jornalista deve conhecer as obras dos marxistas culturais muito bem). Qualquer um que não veja relação entre os ideias de Antonio Gramsci, da Escola de Frankfurt, da French Theory e de muitas ações organizadas e políticas públicas atuais só pode ser desonesto. Está tudo devidamente documentado nas obras dos teóricos do "neomarxismo" ou marxismo cultural.

Essa reação histérica à mera presença de dois ou três sujeitos de "extrema-direita" aqui e acolá só denota a prática da máxima de Marcuse em Tolerância Repressiva: "toda tolerância para com a esquerda, nenhuma para com a direita". Vocês não querem travar um debate honesto com habitantes do outro lado do espectro, querem continuar gozando livremente da hegemonia que os fenômenos que negam lhe proporcionaram.

Todos esses fatos são descartados pelo "grande jornalista" como se não gozassem de ampla documentação. Se essa é sua definição de grande jornalista, Leonardo, fico assustado com qual pode ser a de um mal jornalista.

A inabilidade e o amadorismo com que esse pessoal trata questões históricas tão importantes, disparando afirmações ousadas sem oferecer uma evidência sequer é incrível. Não surpreende rejeitarem o debate racional com gente de matizes distintas de pensamento. Um texto recheado de obviedades ou de afirmações carentes de prova não se torna um texto forte.

Santayana diz que o papa Francisco considera os marxistas pessoas normais. Ora, isso eu também faço, e qualquer um pode, e até deve, fazer. Alguns marxistas tiveram, inclusive, trabalhos em outras áreas da filosofia - em especial a estética, muito distintos, que devem ser lidos com afinco (Lucáks, Arnold Hauser e diversos outros). Sartre afirmava que todo anticomunista é um cão, em pleno 2013 a máxima tem de se inverter pra qualquer pessoa com um senso moral apurado: qualquer um que defenda ou seja conivente, nos planos político e/ou moral, com o comunismo não passa de um cão. Ser anticomunista, ao menos no sentido de não ser e negar os tentáculos totalitários do comunismo não é característica de conservador, liberal, democrata, "direitista" ou coisa que o valha, mas apenas de seres humanos capazes de se comprazer por outro ser humano.

Boff fala do desastre da economia de mercado, como se as regiões mais desenvolvidas do mundo praticassem alguma outra coisa em termos econômicos. A negação da eficácia do mercado enquanto gerador de riqueza denota o provincianismo dos intelectuais de esquerda nacionais, atrasados até com muitos de seus pares estrangeiros, que já desistiram de negar o óbvio.

Usa o fato de Marx ser o mais lido, como se isso por si só denotasse algo de palpável, partindo da falsa premissa que uma eventual falsidade das premissas do capitalismo implica em verdade do marxismo.

É praticamente impossível não afirmar a desonestidade de Boff, de Santayana e asseclas - daí a histeria dos próprios com o "anticomunismo" atual. É dever de um intelectual que deseja se posicionar a leitura da literatura crítica do tema. Será que esses caras leram a vastíssima literatura crítica com relação ao marxismo? Cito Roger Scruton:
"Consideremos as teorias de Marx. Desde seu primeiro anúncio, têm despertado controvérsia das mais vivas e é improvável que tenham permanecido intocadas. De fato, me parece que todas as teorias de Marx já foram refutadas em sua essência: a teoria da história por Maitland, Weber e Sombart; a teoria do valor por Böhm-Bawerk, Mises, Sraffa e muitos outros; a teoria da consciência falsa, alienação e conflito de classe por um vasto grupo de pensadores, de Mallock e Sombart a Popper, Hayek e Aron." [SCRUTON, 1985, p. 5]
Daí o ódio desses intelectuais de esquerda de segunda linha pelos ditos "anticomunistas", leitores assíduos tanto de Marx como da literatura crítica do marxismo, quando muito das vezes falta ambos para os próprios:

Olavo de Carvalho e sua biblioteca sobre comunismo, socialismo e temas afins.


Se o anticomunismo pode ser um problema, e realmente pode: se mal-digerido, infantilizado, sem arcabouço intelectual, penso que moralmente falando, a defesa de uma doutrina refutada, antiquada, assassina e sanguinária, não por idiotas úteis, mas por intelectuais que, suponho, leram a bibliografia escrita pelos caras que pensam diferente dele, é ainda mais preocupante.

9 comentários:

  1. Não eh necessário nenhum arcabouço cultural para criticar o comunismo. Por favor, reveja esse ponto do seu texto. Enquanto a esquerda marxista mente e difama o livre mercado, a direita sugere tratar o adversário com delicadezas que eles não nos atribuem. Marxistas são todos vermes e devem ser tratados com tal. O marxismo deve ser execrado e tratado com chacota. Eh o que merecem.

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    1. Contudo, até agora o próprio Olavo de Carvalho não conseguiu refutar os fatos apresentados por Leonardo Boff no referido artigo.

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    2. Leonardo Boff merece algum crédito? Ele é quem precisa refutar os pesquisadores franceses sobre as atrocidades co CUmunismo. O Olavo estourou ele num artigo de 2000 e noutro de 2006. O que ele tem a oferecer? Nada.

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  2. Esse Boff é um degenerado milionário liberasta e idiota útil do comunismo global! Que tal, confiscar a riqueza desse Boff e colocar uma família em cada quarto do seu apartamento de luxo!

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