sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A defesa do funk e seus ardis

Por André,

Me surpreende uma declaração do prefeito Fernando Haddad acerca de seu veto à lei que proibiria os "proibidões". Segundo o ilustríssimo prefeito:

“funk é uma expressão legítima da cultura urbana jovem”

O que a declaração de Haddad revela? Que todos que forem contra a utilização de espaços públicos para realização de bailes funk são contra a expressão de uma "cultura urbana jovem". Malvadões demais, não?

Ao que parece já existe lei que preveja a proibição de eventos do tipo em espaços públicos. O caso é mais sério do que parece: um largo espaço é monopolizado, utilizado para emissão de som alto que vara a madrugada, consumo ostensivo de drogas, ocupação do espaço de entrada e saída de veículos etc. etc. Que o caso se enquadra num típico caso de "perturbação da ordem pública" é evidente a quaisquer olhos que repousem sobre a questão. 

Contudo, como tudo que envolva a "defesa" de certas minorias nos dias de hoje, a questão está envolta por um espesso véu ideológico. Segundo os experts de plantão, todo o ódio da classe média fascista contra o funk é explicado porque este representa a "felicidade" do pobre. Será mesmo?

Mais uma vez a visão desses intelectuais volta-se para a lua em vez da terra. Será mesmo que o funk representa a ~felicidade dos pobres~? Todo pobre aprecia o som alto e as letras poéticas na porta de suas casas por toda uma madrugada? Ou seriam essas explicações apenas a tentativa de CRIMINALIZAR não o funk, como alega a intelligentsia, mas justamente quem simplesmente não aprecia o estilo?

Pois as explicações e justificativas dão a entender que apenas quem é contra a "expressão de uma cultura urbana jovem" ou quem é "contra a felicidade dos pobres" não gosta de funk e quer criminalizá-lo. A imaginação totalitária dessas pessoas não conhece limites. Que tal simplesmente ser um barulho incômodo, como qualquer outro? Que tal uma simples perturbação da ordem pública, como qualquer outra?

Muitos poderão alegar que tais acusações só recaem sobre o funk porque ele "é de pobre", de "favelado" etc, não atinge outros tipos musicais que até falam de sexo ou drogas. Porém, você já viu (e mesmo que tenha visto, pense na frequência) alguma orquestra fechando vias públicas para se apresentar? Já viu um monte de gente de meia-idade sentada no asfalto, impedindo o tráfego, ao som de uma MPB alta e "nervosa"? E não me falem em falta de espaço, pois o comportamento se observa nos carros individuais de funkeiros. O som ser alto e ouvido por todos é condição sine qua non do "processo funkeiro". A coisa é toda construída para ser alta e, consequentemente, incômoda.

É evidente que tais acusações recaem sobre o funk porque apenas ele se propõe a gerar tais incômodos. Desconheço gente que tenha sofrido algum caso semelhante devido à truculência do maestro João Carlos Martins em ocupar por 12 horas uma via pública para executar suas bachianas.

A discussão segue, mas o post tentava alertar contra os ardis dos intelectuais engajados na defesa do funk (procurem um padrão entre eles, pois existe um e ele é muito claro): eles querem pintar uma imagem muito específica e delimitada de quem é "contra o funk" (curiosamente é a mesma que tenta-se imputar a quem defende penas rigorosas para criminosos, o combate às drogas, o porte de armas e outras pautas ditas "reacionárias"). Essa gente é perigosa (literalmente, não é exagero) e está aí para excluir qualquer postura que não seja a sua. Cuidado.

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