sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

PC Siqueira condensa o sentimento geral quanto ao rolezinho: "é errado, mas é legal"

Por André,



Desde que PC Siqueira fez em um de seus vídeos uma exposição sobre "direita e esquerda" políticas eu venho chamando-o de "revelação da ciência política nacional". Os mesmos abutres ideológicos de rede social que o criticavam, passaram a idolatrar o rapaz, que repetiu os chavões de sempre sobre o tema (esquerda é legal e do bem, direita é chata e do mal). A América tem seus Russell Kirk, Leo Strauss e Erich Vögelin, nós temos nossos PC Siqueira e Leonardo Sakamoto. Cada um tem o que pode e o que merece.

Porém, PC involuntariamente acertou sobre o tema do momento nos tweets da imagem acima e no vídeo sobre o assunto. Condensa bem em que consiste o vigor argumentativo dos revolucionários: todos sabem que o rolezinho é uma bobagem adolescente e que o bom senso diria que é melhor que seja evitado. E no final das contas TODOS (inclusive eles próprios) sabem disso. Mas querem saber? Melhor que o circo pegue fogo (de longe, é claro). Quero mais é que tudo que está aí se exploda. O que vem a seguir? Quem se importa...

Depois, o sensualismo rasteiro de que alertei na defesa do funk pelos intelectuais também aparece aqui. Por que sou a favor dos rolezinhos? Ah, por que é "legal". Mas quais as razões? Qual o propósito? Nada de revolução comunista, desvelar o apartheid subjacente, denunciar o abismo entre classes. É apenas pra "pegar umas minas", segundo os organizadores e participantes. É a apoteose do "legal". Descontados os que aderiram as manifestações do ano passado porque estavam achando aquilo "legal" o evento certamente se esvaziaria.

E mesmo que depuremos os fenômenos, o melhor que vamos chegar em termos de argumentos concretos é isso, essas coisas são "legais" (normalmente porque perturbam a ordem). Será que estamos caminhando para a era do "legal", blindada pelo politicamente correto (quem somos nós para questionar o "legal" dos outros?)? 

Todo mundo sabe que o legal dos outros pode ser chato pra muita gente (o legal dos pedófilos não é nada legal para as crianças, o legal dos nazistas não é nada legal para os judeus) e todo mundo deveria saber que algo ser "legal" não pode ser um bom critério para dirigir nossa sociedade.

Os oportunistas de plantão agiram como sempre. Politizaram um fenômeno que claramente não é político e se fosse, nada lhes seria favorável (pobre quer consumir mais e mais, adepto de funk ostentação mais ainda). Para quem há 6 meses tava instrumentalizando algo bem mais complexo (nesse caso algo evidentemente de teor político) como as manifestações (mesmo que depois tenha feito carinha de nojo quando as manifestações ganharam corpo graças às reais pautas da população: corrupção, violência, impostos etc) e abraça desesperadamente algo simplório como os rolezinhos, só resta defendê-los porque eles são "legais" mesmo.

E bem lá no fundo, todo esquerdista chinfrim sabe que esse é o único argumento que ele dispõe.

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