domingo, 9 de fevereiro de 2014

Desde quando a esquerda é contra "justiça com as próprias mãos"?

Por André,

Muita celeuma causada pelos justiceiros que prenderam um bandidinho a um poste no Rio. Mais ainda quanto ao comentário de Rachel Sheherazade sobre a ação, por ter dito que esta foi COMPREENSÍVEL (qualquer dicionário garante, "compreensível" é muito diferente de louvável, recomendável, justo, deve-se-tornar-política-de-Estado ou adjacentes).

Que a ação é compreensível é fato, especialmente no Brasil dos 60.000 (90% deles não-resolvidos) homicídios anuais (sem falar nos roubos, furtos - oficiais e não contabilizados). Certamente o mesmo fato não seria compreensível na Islândia e seu 1 homicídio por ano. A ação de um justiceiro por lá continuaria sendo equivocada e injusta, mas também incompreensível (a reação seria desproporcional, a polícia provavelmente prenderia o sujeito e resolveria o caso, como reza o texto da lei).

Vale esclarecer que não vi absolutamente nenhum formador de opinião dizendo que justiceiros são a solução para os problemas da violência nacional, que devem ser aplaudidos ou condecorados. Normalmente as pessoas preocupadas com a violência não possuem moralidade e conceito de justiça maleáveis a ponto de atribuir valores diferentes ao mesmo fenômeno (sabemos bem quem tem PhD nessa área).

O ponto é: que moral tem a esquerda para falar de "justiça com as próprias mãos"?

O que é a revolução armada, sonho diuturno das esquerdas, senão um grande ato de "justiça" com as próprias mãos? A revolta "justa" e armada feita pelas classes oprimidas contra os opressores não é, por definição, "justiça com as próprias mãos"? Como bem documentou o Felipe Moura Brasil em seu blog, a mesma esquerda que condena a prática assim definida tem um currículo extenso nessa área.

Em tempos de manifestações, todo tipo de agressão, destruição do patrimônio público e perturbação da ordem é justificada pela esquerda, mesmo quando contra a lei, o bom senso e a vontade da maioria, justamente porque representaria o clamor pela justiça. Se a polícia é violenta, devolver na mesma moeda é mais que permitido, é louvável e recomendável e quem não o fizer é reacionário. Se bandidos roubam, matam e ameaçam a vida de populares comuns de toda maneira possível, por que não é uma reação compreensível aquela que visasse pôr um fim nisso? Mais uma vez Felipe Moura Brasil documentou o fenômeno: Francisco Bosco, do PSOL, defende todo tipo de violência, desde que seja em nome do mundo melhor (dele). Toda a violência deles é permitida, inclusive a feita "em nome do bem" e "com as próprias mãos" doa a quem doer.

E a questão vai além: qual é a narrativa da esquerda para a existência e ação de criminosos? Que estes são vítimas do sistema, produtos de seu meio social, levados por suas condições materiais precárias a transgredir a lei. Quando, no país dos 60.000 homicídios por ano, um grupo é levado à última consequência de prender os praticantes da barbárie, não estamos a observar o mesmo caso?

Condições sociais levando pessoas a cometerem crimes? Não é essa a explicação da esquerda pra boa parte dos casos de violência? Por que no caso dos justiceiros o mesmo não se aplica? O meio social violento gerou a reação.

Como bem disse o amigo Francisco Razzo, opinião de jornalistas a parte, o que fica dessa história é, realmente, "que a coisa tá feia". E fiquemos atentos, disso para a barbárie virar regra é um pulo, a população está cheia da violência diária, pra que a massa tenha um tique esquerdista e aprove crimes como forma de reação a outros crimes é um pulo.

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