sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Esclarecimentos acerca da "meritocracia"

Por André,

Uma das vantagens de um debate real e amplo é o esmiuçar de "conceitos menores". Quando o debate inexiste, nem mesmo os conceitos centrais e elementares flutuam pela atmosfera das ideias, quando é limitado, apenas eles.

As rédeas do debate no Brasil saíram das mãos da esquerda. Ideias de não-esquerda circulam com mais força e frequência. Hoje me deparei com dois artigos sobre o tema da "meritocracia":

Um de Joel Pinheiro da Fonseca, para o Liberzone: A tentação da meritocracia.

e outro da Andrea Faggion: por um libertarianismo sem meritocracia.

Os artigos estão muito bons e tiram o véu de ingenuidade em torno do conceito. Coisa que muitas vezes, no calor de um debate mais amplo, não pode ser esclarecida. Não se trata de uma defesa ingênua de uma identificação imediata entre mérito individual e sucesso e reconhecimento do mercado. Muitas vezes as últimas coisas não acompanham a primeira.

O tema da meritocracia sempre foi caro à minha pessoa. Desde a época de aluno, agora como professor que trabalha na rede pública além da particular e leitor de Ayn Rand.

Concordo com o Joel e a Andrea. Porém, meu ponto com a meritocracia não é essa coisa ingênua defendida por alguns libertários. Minha questão é menos com a premiação do mérito, mas com sua punição, bem como com a coroação do demérito. Bem no espírito da denúncia feita por Rand em seus livros, onde os melhores, que nada exigem do mundo, além de não serem premiados, são punidos.

Na escola pública é assim. O aluno que vai bem não é premiado, não é objeto de discussão, não recebe uma vírgula de reconhecimento ou tratamento adequado para alguém interessado nos estudos. Ao passo que toda a burocracia fica dirigida ao aluno ruim. No estado de São Paulo, a vasta maioria dos professores arredondam notas "4,1" para "5" (o número exato que o aluno deve atingir para tirar "azul"). O demérito da nota baixa é premiado com um gordo arredondamento. O aluno que tirou 10? Quem é ele mesmo?

O que mais me assusta e incomoda são coisas desse tipo. E não apenas as políticas governamentais dão suporte a isso, mas também o imaginário empobrecido da população docente. Já que o estado não cria meios para que os melhores sejam ajudados, o professorado, em geral, não se esforça para que esses, ao menos, não sejam atrapalhados.

Que a "meritocracia" não seja transformada em um mantra sagrado. Mas que os bons não sejam punidos, já que não serão ajudados.

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