sábado, 15 de fevereiro de 2014

'Genialidade' de Marx é exaltada em curso de "produção fonográfica"

Por André,

Ex-aluno relembra das minhas aulas em momento de hagiografia marxiana.

Que uma leitura cuidadosa de Marx é importante é inegável. Quase todos os liberais e conservadores de grande porte estão aí para atestar isso, sendo eles, em grande parte das vezes, tão conhecedores da obra de Marx quanto os próprios marxistas.

Não consigo ver um bom curso de filosofia ou sociologia que não envolva a leitura e discussão (discussão implica críticas, apenas para deixar claro) da obra de Marx e Foucault, por exemplo.

Contudo, como bem sabemos, a realidade está bem distante desse ideal democrático de universidade, onde há espaço para Marx, Foucault, Rousseau e Bordieu, mas também para Adam Smith, Mises, Raymond Aron e Tocqueville.

Muita gente, inclusive à direita - e não sem razão - está alertando que muitos conservadores de boutique estão prestando um desserviço à causa e pulverizando conceitos como revolução cultural e marxismo cultural, vendo os mesmos na sola do sapato. Sem dúvida isso é verdade e sem dúvida é um problema. Enquanto isso, a esquerda nega peremptoriamente que as universidades estejam tomadas.

Contudo, é fato inegável que o repertório econômico, das pessoas comuns à vasta maioria dos professores universitários é marxista (todos repetem a teoria do valor-trabalho, da mais valia e da exploração) e  isso SÓ pode ser explicado por meio de uma revolução cultural que sitiou a formação intelectual. Só esse conceito dá conta de explicar por que uma teoria já ultrapassada como o marxismo é citada como se fosse coisa muito douta em pleno 2014 num curso de produção sonográfica.

Os exemplos abundam: um google rápido nos nomes de Karl Marx e Adam Smith pode ser representativo: o primeiro gerará mais de SETE MILHÕES E MEIO de referências, ao passo que Adam Smith pouco mais de trezentas mil. Repita o experimento com outros nomes, os resultados se mostrarão parecidos.

Ainda na semana passada, lancei a pergunta em sala de aula "por que existem pobres?". Um aluno disse "porque existem ricos que os exploram". Perguntei se ele se definia politicamente e, se sim, qual era sua definição. Ele, pra minha surpresa ou não, disse que se considerava de "extrema-direita". O que explica o fato de que a única possibilidade no imaginário de alguém de "extrema direita" seja "exploração" para a existência de pobres (bobagem refutada pela falácia da economia de soma zero)?

Apenas a repetição regulada desta hipótese única pode gerar tal resultado. E por que a resposta na ponta da língua das pessoas é Marx e não outra?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

1. Seja polido;

2. Preze pela ortografia e gramática da sua língua-mãe.