segunda-feira, 10 de março de 2014

Comentário a uma objeção ao egoísmo racional de Ayn Rand

Por André,

Me enviam o seguinte trecho, alegadamente retirado da American Chesterton Society:

"... I suspect that Rand’s Objectivist philosophy was, at bottom, an overreaction to what she experienced in Bolshevik Russia and also to the rise of Nazism. Since both regimes used the concept of “collective good” to justify their actions, Rand became, shall we say, philosophically allergic to the very idea of collective or common good and went off the deep end in the other direction, toward extreme individualism. 
Objectivism is a great philosophy for young, healthy, single people who have no responsibilities to anyone other than themselves. It loses its attraction pretty quickly once you marry, have children, get old or sick, or have sick or elderly parents/friends to care for. 
Rand never had any children, and although she was married to the same man for over 50 years, it was an “open” marriage in which both carried on affairs with others. She was also VERY pro-abortion (no surprise there) and referred to unborn children as “parasites”, although she also opposed any use of taxpayer funds to support abortion." - Elaine (aka Bookworm)

É comum a confusão entre egoísmo no sentido comum e no sentido proposto pelo objetivismo, a filosofia de Ayn Rand. Aliás, a confusão é repetida por tanta gente que soa até estranho ela ser apenas isso, uma confusão. Grandes mentes "se confundiram": Buckley, Hitchens, Chesterton e Olavo de Carvalho.

Tudo que Ayn Rand dizia é que nenhum indivíduo pode ser OBRIGADO a se SACRIFICAR em nome de algum outro indivíduo, coletivo ou "causa" (supostamente maior que o indivíduo). O sacrifício da individualidade é um vício.

Contudo, isso não significa abandonar sua esposa, filhos ou parentes e/ou amigos doentes. Nem mesmo se eles forem desconhecidos, aliás. Nathaniel Branden, salvo engano, afirmou em algum lugar: se você quiser ajudar alguém, seja lá quem for, ninguém vai te impedir.

O ponto é: 1) você não é obrigado a se sacrificar em nome de nada ou ninguém e 2) apenas o indivíduo pode ser o centro de gravitação da ética: "Apenas o próprio indivíduo tem o direito de decidir quando ou se deseja ajudar os outros; a sociedade - como um sistema político organizado - não possui qualquer direito nesse ponto" (RAND, 2013, p. 123).

O que muitos detratores do egoísmo racional deixam escapar é que toda a filosofia objetivista é um sistema encadeado por princípios lógicos. Uma coisa é consequência inevitável e imediata da outra. No terreno da ética, os valores são determinantes.

Se seu pai, esposa ou irmão forem heróis para você, caso encarcerem valores que todo homem racional reconhece como bons, qualquer ação que você faça para eles não será um sacrifício.

Agora, se um dos seus parentes for um bandido, você deve amá-lo ou sacrificar-se por ele apenas por que é seu parente? Sob qual base? A moral da "sociedade"? Da sua "religião"? A ética objetivista rejeita tal tipo de sacrifício.

Para quem quiser um esclarecimento definitivo sobre o tema: "A virtudo de egoísmo" de Ayn Rand. O Instituto Liberdade reeditou os textos no ano passado.

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