domingo, 2 de março de 2014

Quando esquerdistas chegam ao poder não viram ditadores por acaso mas por corolário.

Por André,


Uma das ideias que tenho insistido, particularmente com o exemplo da Venezuela, por estarmos visualizando in loco um experimento socialista falhar, é observar como as aparências democráticas de governos de esquerda rapidamente começam a se mostrar o que realmente são: aparências.

Seria ingênuo argumentar que todos os governos que podemos classificar como "de esquerda" são/foram ditaduras (muito embora os socialistas não se envergonhem minimamente de afirmar o contrário, um autor mexicano que me foge o nome agora não hesita em dizer que se for socialismo é democrático e se for democrático é socialismo - ardilosamente tirando toda culpa das costas do socialismo por suas falhas históricas). Mas é perfeitamente possível afirmar que, a partir do entendimento do processo político que a esquerda tem, é inevitável que, por vontade ou não do dirigente político, medidas ditatoriais serão tomadas, tornando mera questão de tempo para que o governo mostre aos quatro ventos suas sanhas totalitárias.

Já argumentei nesse sentido num dos textos mais visitados do site, o "Como deixar um revolucionário embaraçado com uma única pergunta", lá, mostro como a violência física contra "opositores" é corolário da visão de mundo revolucionária ainda tão cara a tantos intelectuais.

Que se tornem ditadores, quer já fossem ou já tivessem as intenções de sê-lo, também é um corolário de sua visão de mundo. O que Nicolás Maduro vem fazendo com opositores ao seu governo, tanto quanto ao trato físico reservado a eles (a base de tanques e balas) quanto à linguagem com que se refere ("inimigos do povo", "fascistas", "traidores", "terroristas" etc - a boa e velha manipulação revolucionária da linguagem) é uma mostra inconteste disso. Sem mencionarmos, é claro, o tratamento dado à mídia "não-democratizada" (conceito floreado cujo significado real é "não diz o que eu quero") e o controle da mídia democrática (onde as notícias, para serem divulgadas, devem sê-lo apenas após ofício governamental que autorize).

Tudo isso é necessário porque esse projeto é naturalmente fadado ao fracasso. Tão logo opositores surjam (e eles surgirão, é impossível pensar que, por exemplo, bens básicos de consumo serão racionados e todos aplaudirão), na sociedade civil e na mídia, para manter seu governo, é preciso que seus poderes aumentem em proporção geométrica, alimentando paulatinamente o Leviatã que já estava gestado.

Os próximos momentos na Venezuela são decisivos: ou o governo Maduro cai - e não sabemos o que virá como consequência - ou ele consegue manobrar a crise e fará de tudo para que o problema não se repita, subindo na escala política de governo autoritário a totalitário com todas as honras e méritos.

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