quarta-feira, 19 de março de 2014

Raymond Aron e a postura do liberal

Por André,


"O liberal é humilde. Reconhece que o mundo e a vida são complicados. A única coisa de que tem certeza é que a incerteza requer a liberdade, para que a verdade seja descoberta por um processo de concorrência e debate que não tem fim. O socialista, por sua vez, acha que a vida e o mundo são facilmente compreensíveis; sabe de tudo e quer impor a estreiteza de sua experiência – ou seja, sua ignorância e arrogância – aos seus concidadãos."

Essa posição expressada por Aron acerca do liberalismo muito me agrada. Segue a esteira do professor Alberto Oliva em seu "Entre o dogmatismo arrogante e o desespero cético", uma visão do liberal como "cético epistemológico". O liberal é um ser de dúvida por excelência.

A mentalidade liberal diverge da socialista nessa medida: enquanto o liberal vislumbra o possível, o socialista, numa simplificação grotesca da realidade, vislumbra a perfeição no mundo. É aquilo que tentei expressar no meu post sobre o Ocidente: ao falar em superioridade, não se trata de um ideal, mas do possível. O Ocidente não é perfeito, o 'capitalismo' não é perfeito, mas é o que temos de melhor até agora.

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