segunda-feira, 14 de abril de 2014

Professor que citou Valesca como pensadora já sofreu processo administrativo

Por Correio Brasiliense,


Durante a última semana, ele se envolveu em uma polêmica nacional e virou um dos temas mais comentados das redes sociais. Tudo porque formulou uma questão para prova de estudantes do Centro de Ensino Médio 3, de Taguatinga, citando a música da funkeira Valesca Popozuda Beijinho no ombro, considerada um hit do momento. O professor Antônio Kubitschek de Oliveira se referiu à cantora como uma “grande pensadora contemporânea”. Não é a primeira polêmica em que Antônio se envolveu. 
Em 2004, ele foi alvo de um processo administrativo e, com outros sete docentes, acabou afastado do Centro de Ensino Médio 5, em Ceilândia. Ele lembra do episódio de 10 anos atrás e diz que a decisão foi fruto de “perseguição política”. “Nós bolávamos exercícios interdisciplinares e fazíamos debates sobre temas diversos. Entrou uma nova direção na escola, que discordava dos nossos conceitos e nos considerava de esquerda, por isso nos tirou de lá”, relata. Antônio critica aqueles que rejeitam métodos de ensino inovadores. “Temos que nos reinventar para prender a atenção dos alunos. A aceitação do nosso método era tão grande que, quando saímos de lá, os alunos ficaram 22 dias de greve como forma de protesto. Essa foi a prova que tínhamos razão”, recorda-se. 
No mais recente episódio, ele diz que alcançou o objetivo, que era mesmo causar polêmica. 
Extrovertido e benquisto por todos, o mineiro, de 43 anos, é considerado pelos estudantes um dos melhores professores do colégio e defende sua forma de ensinar. Ele acredita que o ambiente escolar é um local em que é necessário suscitar debates sobre temas polêmicos, para que os alunos pensem além do senso comum. “É o papel do professor, ainda mais o de filosofia, estimular os meninos a refletirem sobre a humanidade e sobre o mundo atual”, opina.

Comentários:

Antes de tomar conhecimento dessa informação, escrevi em meu texto que este caso era apenas uma ilustração pública do ataque ao cânone tradicional, dirigido e pautado pela esquerda universitária americana nas décadas passadas.

Pois dito e feito, por trás do que o professor fez, menos na questão em si e mais no contexto como um todo, está implícita a ideia freireana de que "não há saber melhor ou pior, há apenas saberes diferentes", ou seja: entre Platão, Aristóteles, Kant e Hegel e Valesca não há diferença substancial, e postular tal diferença é racismo e preconceito.

Talvez o professor até tenha boa vontade (enfatizo o "talvez", não ponho a mão no fogo pelo sujeito) e queira chamar a atenção para si durante a aula, competindo com celulares e outros aparelhos. Porém, não podemos transformar a Filosofia em conversa de boteco para dar conta que todos sejam capazes de participar. Não podemos "destruir o fundamento da Filosofia", como disse o presidente da Academia Brasileira de Filosofia (não o conhecia e não reconheço a importância de tal instituição, mas esta fala é precisa), pois se até Valesca é "grande pensadora", todo mundo é, todo mundo faz filosofia, perdendo o sentido até mesmo do ensino obrigatório da disciplina, que o professor certamente defende.

Vestir-se de palhaço, contar piada e falar de futebol certamente é um "método" bastante eficaz caso o objetivo seja "agradar os alunos".

Para o mesmo ter sido processado por suas abordagens em aula coisa boa ele não fazia. E isso não tem relação com o fato dele ser "de esquerda" pois o próprio currículo é (marxismo, anarquismo, relativismo cultural são tópicos incorporados ao currículo oficial dos estados, ou seja, assuntos pelos quais os professores têm obrigatoriamente de trabalhar ao longo do ano letivo) "progressista".

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