quinta-feira, 19 de junho de 2014

Palestrante da Heritage Foundation dá resposta brilhante sobre a maioria dos muçulmanos ser pacífica e qual a relação disso com a minoria terrorista

Por André,

Lembro de ter discutido com alguém aqui no Facebook este ano sobre a questão do terrorismo e do totalitarismo islâmico e a pessoa veio com a cantilena do "mas é a minoria dos muçulmanos" e eu mesmo respondi "e daí?". O fato da maioria da população islâmica ser pacífica é irrelevante e tem peso 0 para o equilíbrio da equação (ainda que eu desconheça a existência de uma minoria violenta budista interessada em explodir alguém no Ocidente).

Pra fazer um paralelo bobo (a sra. Brigitte Gabriel faz paralelos bem melhores), qual a relevância para o problema de hooligans nos estádios que a maioria da torcida seja pacífica? Nenhuma, o problema é justamente a minoria violenta.

Quem acompanha esse debate, mais presente na América e na Europa, sabe que há um lobby islâmico fortíssimo que cria a mesma atmosfera vitimista que conhecemos por aqui só que com outras minorias. E sim, sua desconfiança está certíssima, a esquerda light local é unha e carne com os islamitas radicais. É aquele clássico problema do "liberalismo" apresentado por John Kekes: há certos valores que são autofágicos, como ser multiculturalista com "uniculturalistas" que na primeira oportunidade que tiverem solaparão as bases que possibilitam esse multiculturalismo?





O texto transcrito da resposta, traduzido pelo Marcelo de Paulos e publicado na página do Alexandre Borges no Facebook:

Saba Ahmed: "Salaam aleikum. Paz a todos vocês. Meu nome é Saba Ahmed, eu sou uma estudante de Direito na American University. Eu estou aqui para fazer uma pergunta simples a vocês. E eu sei que nós retratamos o Islã e todos os muçulmanos como maus, mas há 1,8 bilhão de muçulmanos seguidores do Islã, temos mais de oito milhões de americanos muçulmanos neste país – e eu não os vejo representados aqui. Mas minha pergunta é: como podemos travar uma guerra ideológica com armas? Como podemos terminar essa guerra? A ideologia jihadista de que vocês falam é uma ideologia. Como podemos vencer essa coisa se você não endereçá-la ideologicamente?" 
Brigitte Gabriel: "Ótima pergunta! Eu estou tão feliz que você está aqui e estou muito feliz que você levantou essa questão, pois nos dá uma oportunidade para responder. O que eu acho incrível é que, desde o início deste painel – nós estamos aqui para tratar do ataque às nossas pessoas em Benghazi – nem uma única pessoa mencionou “muçulmanos”, que estamos aqui contra o Islã ou que estamos lançando uma guerra contra muçulmanos. Estamos aqui para discutir como quatro americanos morreram e o que o nosso governo está fazendo. Não estamos aqui para falar mal de muçulmanos. Você foi quem levantou a questão sobre muçulmanos, não nós. Mas já que você levantou, permita-me elaborar minha resposta. Há 1,2 bilhão de muçulmanos no mundo hoje. Claro que nem todos são radicais! A maioria deles é de pessoas pacíficas. Os radicais são estimados entre 15% a 25%, de acordo com todos os serviços de inteligência ao redor do mundo. Restam 75% de pessoas pacíficas. Mas quando você considera 15% a 25% da população muçulmana, você está olhando para 180 milhões a 300 milhões de pessoas dedicadas à destruição da civilização ocidental. É tão grande quanto os Estados Unidos. Então, por que deveríamos nos preocupar com os radicais – 15% a 25%? Porque são os radicais que matam. Porque são os radicais que decapitam e massacram. Quando você olha através da História, quando você olha a todas as lições da História, a maioria dos alemães era pacífica. Mesmo assim, os nazistas conduziram a agenda. E, como resultado, 60 milhões de pessoas morreram, 14 milhões em campos de concentração, seis milhões eram judeus. A maioria pacífica foi irrelevante. Quando você olha para a Rússia, a maioria dos russos era pacífica também. Mesmo assim, os russos foram capazes de matar 20 milhões de pessoas. A maioria pacífica foi irrelevante. Quando você olha para a China, por exemplo, a maioria dos chineses era pacífica, também. Mesmo assim, os chineses foram capazes de matar 70 milhões de pessoas. A maioria pacífica foi irrelevante. Quando você olha para o Japão antes da Segunda Guerra Mundial, a maioria dos japoneses era pacífica, também. Mesmo assim, o Japão foi capaz de abrir seu caminho como um açougueiro através do Sudeste Asiático matando doze milhões de pessoas, a maior parte delas com baionetas e pás. A maioria pacífica foi irrelevante. No 11 de setembro nos Estados Unidos, nós tínhamos 2,3 milhões de muçulmanos árabes vivendo nos Estados Unidos. Bastaram 19 sequestradores – 19 radicais – para colocar a América de joelhos, destruir o World Trade Center, atacar o Pentágono e matar quase três mil americanos naquele dia. A maioria pacífica foi irrelevante. Logo, por todos os nossos poderes da razão e nós falando sobre muçulmanos moderados pacíficos – estou feliz que você está aqui, mas onde estão os outros se manifestando? Já que você é o único muçulmano representado aqui... (Aplausos) Guardem os aplausos para o final. E já que você é o único muçulmano representado aqui, você aproveitou a oportunidade e, em vez de falar sobre por que o nosso governo... Eu estou assumindo... Você é americana? Você é uma cidadã americana? Então, como uma cidadã americana, você sentou neste recinto e, em vez de se levantar e perguntar algo sobre nossos quatro americanos que morreram e o que o nosso governo está fazendo para corrigir o problema, você se posicionou aí para defender a ideia de “muçulmanos moderados pacíficos”. Eu queria que você tivesse trazido dez com você para perguntar como podemos fazer nosso governo responder por aquilo. Está na hora de pegarmos o “politicamente correto” e jogá-lo no lixo, que é onde merece estar e parar de chamar (inaudível – aplausos)." 

7 comentários:

  1. Brigitte argumenta que, enquanto a maioria dos muçulmanos no mundo são pacíficos, esses muçulmanos pacíficos não importam. A história, Brigitte mantém, nos diz que a maioria pacífica é sempre irrelevante. Pessoas violentas é que determinam o curso das coisas. No século vinte, na Alemanha, Rússia, China e Japão, a maioria era pacífica e mesmo assim milhões e milhões de pessoas morreram nas mãos de uma minoria brutal. A maioria pacífica se mostrou tremendamente incompetente em parar os mais horríveis eventos do século vinte: incompetente e também irrelevante.
    Mas isso é uma má interpretação da história.

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  2. Friedrich Nietzche observou, "Não existem fatos, somente interpretações." Mesmo assim, algumas interpretações são mais fatuais e menos fictícias do que outras. De acordo com Brigitte, por volta de 75 por cento dos islâmicos no mundo são pacíficos, enquanto 15 a 25 por cento são violentos. A precisão dessas porcentagens é questionável, mas vamos assumir para argumentação que essas porcentagens estão certas. Dizer que existem mais muçulmanos pacíficos do que violentos parece justo. Mas Brigitte, ao dizer que esses 75 por cento são irrelevantes é uma interpretação um tanto peculiar. Peculiar e problemática. Me permita usar uma analogia para ilustrar o problema.
    De acordo com o estudo sobre o estupro, feito por Mary Koss em 1987, 4,5 por cento dos americanos em idade universitária já tinham forçado uma mulher a fazer sexo. se esta for uma representação precisa da realidade, então milhões de homens americanos algum dia já cometeram estupro. Agora se estes 4,5 por cento vai determinar o que nós devemos sentir e pensar sobre os homens, então eu devo assumir que um homem é um criminoso potencial. Na visão de Brigitte, os 95,5 por cento do restante dos homens não podem fazer nada para mudar isso, por que a maioria pacífica nunca mudar nada para melhor. Afinal de contas, eles são irrelevantes.

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  3. obviamente, tal conclusão é altamente problemática. a maioria dos homens que nunca cometeram estupro realmente são relevantes. graças a essa maioria, uma mulher pode ainda se sentir segura quando está em público. São os membros dessa maioria pacífica que formam ou participam de organizações anti violência sexual, que contribuem para o crescimento da consciência de que o estupro é inaceitável em todas as suas formas. Existem inúmeras organizações sem fins lucrativos de apoio a mulher engajadas no objetivo de criar uma cultura livre da violência (sexual). E quem participa e apoia essas organizações são homens pacíficos que acreditam que a violência sexual não é aceitável de jeito nenhum - homens pacíficos cujos esforços não podem ser chamados de irrelevantes.
    Brigitte não é a primeira a argumentar que a maioria pacífica da sociedade ou comunidade é irrelevante. Em 2006, o blogger canadense Paul Marek escreveu um artigo muito lido sobre a irrelevância da maioria pacífica dos muçulmanos, e Brigitte claramente simpatiza com as visões dele. Bastou somente uma mão cheia de muçulmanos violentos para "deixar os eua de joelhos" no 11 de setembro, Brigitte observou. Milhões de muçulmanos pacíficos foram completamente irrelevantes naquele dia onde 19 homens violentos cometeram ataques horrendos contra civis. Enfrentando tal mal, Brigitte argumenta, os pacíficos são necessariamente impotentes. Brigitte faz comparações entre os muçulmanos pacíficos de hoje com os alemães pacíficos da Alemanha pacífica que não deteram milhões de pessoas de morrer nas mãos de uma minoria violenta. Igualmente irrelevante, na visão de Brigitte, foi a maioria pacífica na união soviética sob regime stalinista.

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  4. Mas a história nos dá um numeroso exemplo de membros dessa maioria irrelevante que fizeram uma imensa diferença em combater a violência, opressão e ódio. Se é pra dizer que a maioria pacífica não foi importante na Alemanha nazista ou na Rússia stalinista, se deve ignorar as ações de muitas pessoas excepcionais.
    Alexsandr Solzhenitsyn foi, na interpretação de Brigitte, um homem irrelevante. O que ele de fato fez para deter a morte de milhões de pessoas no regime stalinista? Nada demais. Ele escreveu um livro sobre os horreres da vida nos Gulags: Um dia na vida de Ivan Denisovich. O livro foi um enorme estrondo para as autoridades comunistas. Um estouro do qual eles nunca se recuperaram por completo. O livro abalou a credibilidade política e intelectual do comunismo em todos os lugares onde foi lido e certamente contribuiu para a queda do comunismo. Mas na visão de Brigitte, foi somente um livro de um homem irrelevante. Um homem entre os milhões de russos pacíficos numa Russia comunista que eram contrários ao ódio e terror do sistema mas, pelos padrões de Brigitte, eram contrários em vão.

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  5. Da mesma maneira, Oskar Schindler foi um membro da maioria pacífica da Alemanha Pacífica. Ele foi um dos muitos alemães que não simpatizavam com a ideologia odiosa do nazismo. Schindler, mesmo com sua aparente irrelevância, salvou mais de mil vidas. Por isso ele é considerado um heroi no Yad Vashem em Israel e por isso ele ganhou uma medalha que carrega o famoso ditado judeu: "quem salva uma vida, salva um universo inteiro". Salvar uma única vida pode mudar o mundo. Solzhenitsyn não tinha tal medalha, mas, da sua maneira, ele também contribuiu para o bem maior da humanidade estimulando o colapso de um sistema político opressivo e ideologia. indiretamente, ao acelerar a queda do comunismo, ele salvou inúmeras vidas.
    Claro, Schindler e Solzhenitsyn eram pessoas excepcionais. Eles eram parte de maiorias pacíficas, mas existem somente alguns Schindlers e Solzhenitsyns dentro das maiorias. Então o que dizer dos outros? Esses que não salvaram vidas são irrelevantes?

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  6. Não. Eles não são. Quando a poeira finalmente abaixa, nós teremos que confiar nessa maioria pacífica de pessoas, que podem não ser tão excepcionais, para criar uma sociedade justa. Foram as pessoas pacíficas que tiveram que reconstruir a Alemanha e a europa depois do cataclisma da segunda guerra mundial, mesmo que alguns deles tenham feito nenhum bem durante a própria guerra. E serão muçulmanos pacíficos que terão que restaurar a ordem e a paz onde há discórdia e violência.
    Já hoje inúmeros muçulmanos pacíficos estão comprometidos com essa tarefa. Muitos muçulmanos pacíficos se manifestaram contra a violência e o terror. Existem numerosas organizações nos Estados Unidos e em muitos países nas quais muçulmanos pacíficos se opõem ao terrorismo e a retórica de ódio que estimula violência anti-ocidente. Existem inúmeros artistas, escritores e intelectuais muçulmanos que usam sua arte e seus escritos como meios de condenar violência e terror.
    Um caso a ser apontado é o livro "Fatwa sobre o terrorismo e bombardeios suicidas", o volumoso decreto islâmico escrito pelo influente político e professor de direito pakistanês Muhammad Tahir-ul-Qadri. Ele é uma das muitas vozes muçulmanas clamando por uma reforma democrática, contra a corrupção governamental e a favor da paz. Ele representa a voz pacífica de pessoas pacíficas, e eu não acho que seria justo ou verdadeiro chama-lo de um homem irrelevante.

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  7. Violência sempre fez parte da existência humana e é utópico pensar que isso um dia vai mudar. Os pacíficos não podem mudar a natureza humana. Mas isso não significa que eles não podem mudar nada para melhor. E se eles puderem alcançar uma única boa ação, então eles não são irrelevantes.
    Existe, entretanto, uma vasta literatura sobre o papel dos espectadores em situações onde alguém é ofendido ou violentado. Inúmeros sociologistas, filósofos e psicologistas examinaram o papel dos espectadores de estupro, bullying, assassinato e crimes em larga escala contra a humanidade. Realmente existem pessoas que fazem o mal e pessoas que não fazem nada para prevenir esse mal de acontecer. O último não pode ser chamado de virtuoso. Esta visão é capturada em uma frase conhecida atribuída a Edmund Burke: "A única coisa necessária para o triunfo do mal é que bons homens não façam nada".
    A maioria pacífica nunca é irrelevante a não ser que a maioria se torne indolente e indiferente, a não ser que a maioria não faça nada e não se importe com nada. Então, e somente então, o mal irá triunfar. Passividade e não pacificidade, leva ao triunfo do mal.
    Eu acredito que nenhuma pessoa de bom coração é irrelevante. Nem um único judeu, muçulmano, cristão, budista, hindu, agnóstico ou ateísta pacífico desse planeta é insignificante. E se eu estiver errado, se os pacíficos e de bom coração são irrelevantes, então nada parece mais importante pra mim do que ser irrelevante.

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2. Preze pela ortografia e gramática da sua língua-mãe.