terça-feira, 12 de agosto de 2014

Cursinhos proibirão piadas

Por Folha de São Paulo,

Pergunto:

Se "o mundo é sofrido demais para tais brincadeiras", quais brincadeiras serão aceitas? A resposta típica é: 'aquela que diminui o opressor, não o oprimido'. O que está subentendido aqui é que o caráter emancipatório do humor, seu potencial para libertar as consciências e deixar de ser um instrumento alienador. Só isso já seria motivo de riso¹. Os ideólogos, militantes - alguns preferem a expressão 'idiotas úteis' - em geral não sabem o que estão falando: exemplo claro é que enxergam no humor não uma vontade de aparecer , mas uma vocação ideológica do 'grande opressor', que se manifesta de formas invisíveis e simbólicas, necessitando que nós, não alienados pelo 'grande sistema', tudo confrontemos e combatemos - a similaridade com o 'grande capital' e sua destruição pelas vias da libertação sexual não é por acaso. Ideologias estúpidas - ou esquerdismo em geral - fornecem grandes desculpas para ser um fanático: "Não sou eu que estou exagerando, o sistema que tudo domina e se radicaliza, necessitando de formas cada vez mais radicais de combate." Portanto, quanto mais radical, violento e utilizador de uma argumentação que agrupe o mundo em um único sistema de monopólio (da economia, da política e das consciências) contra a grande ideologia salvadora da humanidade (o socialismo²), mais o ideólogo se achará iluminado, 'salvo' e preparado para desalienar os outros.

¹ O grau de ideologização das coisas beira o ridículo: o humor deixa de ser criticado pela qualidade da piada ou mesmo pela necessidade típica do "engraçadinho" em 'chamar atenção' do público com métodos infantis. O humor é criticado por um motivo não humorístico, tanto quanto se critica o capitalismo pelos motivos não econômicos e destruir as relações sociais - isto é, por ele não permitir a emancipação dos povos e corromper a sociedade, uma idéia (pseudo-)filosófica e sociológica

² Tendo o socialismo milhões de vertentes, métodos e objetivos secundários, apenas esse fato já serve para demonstrar a falsidade do pensamento exposto: não existe uma única verdade nem na boca de quem problema essa verdade.

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