sábado, 2 de agosto de 2014

Quando a tampa da esquerda não fecha

Por André,

Alguém que servia ao pacote de interesses da esquerda prestes a não servir mais.

Fiz um post afirmando que a esquerda adere a causas boas e de teor moral elevado, só que por motivos errados (em grande parte das vezes detectado apenas pelo olhar técnico) e exortei a qualquer um que também se compadeça de negros, gays ou, no atual momento, palestinos, NÃO adira a nenhuma linha militante de esquerda. Ambos alegam se preocupar com minorias oprimidas, só que uns pelos motivos certos (ou no mínimo boas intenções), outros pelas razões erradas.

Há uma escala de tópicos na agenda da esquerda militante. Às vezes, um único sujeito adere a todas, às vezes não e aí o caldo entorna e a tampa não fecha. Muitos exemplos poderiam ser citados e, aliás, já foram: o trato da esquerda com Joaquim Barbosa, com Clodovil Hernandes e outros, que seriam peixe garantido para a "causa" racialista e gayzista, mas cujas posturas públicas contrariavam essas ideologias e, portanto, foram execrados publicamente e, surpreendentemente ou não, vítimas de ataques racistas e homofóbicos da mesma militância que alega ser do bem por defender minorias. Estou certo que todos podem, individualmente, lembrar de algum outro exemplo, público ou particular.

Pois bem, essas ocasiões, além de servirem para expor o verdadeiro caráter dos ativistas, servem para sabermos qual bandeira ocupa qual lugar na escala de tópicos da agenda. Os exemplos mais recentes são Richard Dawkins e Sam Harris. Ambos se notabilizaram nos últimos anos por sua militância ateísta, o que lhes rendeu a pecha de "neoateus". Em princípio, muitos esquerdistas se serviram dos livros e falas de ambos, pois o ateísmo e sua propagação é um dos tópicos dessa esquerda militante. Mas o romance entre a esquerda militante e o biólogo e filósofo já não perdura, ambos fizeram fora do penico.

Ambos estão sendo alvos de ataque dessa mesma esquerda. Dawkins por suas constantes tirambadas no feminismo e no islamismo. E o que isso indica? Que embora a o ateísmo seja um tópico importante, um ateu renomado não pode criticar o feminismo e o islamismo, isso faz com que a tampa do pacote da esquerda militante não feche e Dawkins não sirva para fazer parte do baluarte da turma preocupada com os oprimidos. Apesar de ateu, agora ele é um misógino e ~islamofóbico~ (sim, sim, a esquerda preocupada com a opressão sai em defesa do Islã e nada diz sobre a situação das minorias nas teocracias islâmicas).

O mesmo recai agora sobre Sam Harris, já tido por Eli Vieira como "o mais esquerdista dos quatro cavaleiros do ateísmo". Sam Harris fez um podcast explicando sua opção por não criticar Israel, eu ia traduzir a fala em forma de texto, mas alguém já legendou o áudio e disponibilizou no Youtube:


Harris também é constantemente acusado de islamofóbico. Islamofóbicas são aquelas pessoas que observaram o mundo por cinco minutos e perceberam que há uma constante ameaça de terrorismo islâmico -- além da conivência e aprovação dos demais muçulmanos -- e jamais enfrentamos problemas de terrorismo hindu, budista ou cristão. Ou ainda, em frase atribuída a Christopher Hitchens "islamofobia é uma palavra criada por fascistas e usada por covardes para enganar idiotas".

O fato é que a tampa do pacote politicamente apropriado da esquerda não está mais fechando para Dawkins e Harris. Ambos já não são mais tão brilhantes assim e estão fora do clube das pessoas legais e engajadas. O que nos indica que a aliança com o Islã e a destruição do único país ocidental do Oriente Médio são causas mais importantes e urgentes que a divulgação do ateísmo (ou destruição das religiões organizadas).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

1. Seja polido;

2. Preze pela ortografia e gramática da sua língua-mãe.