domingo, 12 de outubro de 2014

O mito do maior número de universidades federais construídas na era Lula do que na era FHC

Por União Democrática Acadêmica,

Por Pedro Saad, estudante de Direito na Universidade de Brasília, e presidente nacional da União Democrática Acadêmica.

O movimento estudantil brasileiro passou anos discutindo a ampliação da quantidade de vagas em universidades federais e instituições federais de educação superior durante o governo Lula, especialmente as relacionadas ao REUni. Desde que o programa foi lançado, em 2007, até idos de 2010, ele foi objeto de discussões acaloradas nos espaços da União Nacional dos Estudantes (UNE), federações de curso e até mesmo disputas de Centros Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes.

Em diversos méritos, a esquerda, representada pela UJS e setores estudantis próximos ao Partido dos Trabalhadores, media forças e argumentos com grupos de extrema-esquerda. Fato é que, como é comum na esquerda, discutiram em cima de mitos e da propaganda petista.

A pretensão de se expandir as vagas e condições de acesso ao ensino, no entanto, não é exclusividade do grupo político que hoje se encontra no poder. Não é a primeira vez que há uma expansão de vagas. No entanto, a força da propaganda sobre aumento de vagas é algo sem precedentes. No entanto, não temos notícia é de tamanho alarde.

Para balizar o debate, comparamos aqui, dois governos, de Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, e de Fernando Henrique Cardoso, do Partido da Social Democracia Brasileira. Ambos permaneceram no poder por oito anos, em um contexto de democracia.

Para balizar o debate, comparamos aqui, dois governos, de Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, e de Fernando Henrique Cardoso, do Partido da Social Democracia Brasileira. Ambos permaneceram no poder por oito anos, em um contexto de democracia.

A série de dados históricos é fornecida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), com periodicidade anual (de 1995 a 2008). Foram considerados os anos de 1995 a 2002 (7 anos) para o período FHC e de 2002 a 2008 (6 anos) para o que foi definido como período Lula. As categorias "instituições federais" e "instituições de ensino superior" incluem (além de universidades) centros universitários, faculdades, institutos federais e os antigos CEFETs.

A análise pode ser encontrada no site http://pt-br.governobrasil.wikia.com/wiki/Governo_Brasil_Wiki, e confirmada no site do INEP, http://portal.inep.gov.br/web/censo-da-educacao-superior/censo-da-educacao-superior.

Aos números. Primeiro sobre as universidades federais:

• De 1995 a 2002 (FHC) o número de matrículas em universidades federais aumentou em 147.224.

• De 2002 a 2008 (Lula) o número de matrículas em universidades federais aumentou em 100.313.

E as instituições federais? Além das universidades, CEFETs e IFs?

• De 1995 a 2002 (FHC) o número de matrículas em instituições federais aumentou em 164.103.

• De 2002 a 2008 (Lula) o número de matrículas em instituições federais aumentou em 111.467.

À luz destes dados, não resta alternativa: o debate relativo ao aumento da quantidade de vagas em universidades federais e instituições federais de educação superior durante o governo Lula se pautou mais na propaganda do governo petista do que em números e fatos.

Em números absolutos e relativos, os avanços ocorridos durante o governo de Fernando Henrique Cardoso foram significativamente maiores que os – inegavelmente – ocorridos durante o governo de Luís Inácio Lula da Silva, no tocante ao aumento de vagas tanto em instituições federais de ensino quanto em universidades federais. Em resumo, o debate pautou-se em mitos. Igual preocupação – e propaganda – do movimento estudantil não se viu durante o período de 1994 a 2002. Enquanto o debate não se pautar em fatos e na realidade dos estudantes brasileiros, a opinião dos estudantes estará relegada a irrelevância. Ainda mais quando teve grande serventia para, parafraseando Vargas Llosa, a construção de mais uma fantasia do governo Lula, entre outras que já começaram a se dissipar.

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