segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Rumos do poder em eventual Brasil sem PT

Por André,

Muita gente acredita que o PT perdeu sua história com a esquerda radical, o papel essencial que ele cumpre para as esquerdas latino-americanas administrando o Brasil e a eventual derrota que isso representaria para os interesses dessa esquerda uma vitória de Aécio Neves agora em 2014. 

Pistas sobre isso podem ser encontradas no blog de Valter Pomar. Valter é filho de Wladimir Pomar. Ambos peças essenciais na história do PT e esquerdistas radicais.

Considerando a tendência de alta de Aécio Neves nas pesquisas, o clima de desespero e a possibilidade de peca do poder, bastante distante há um mês, se instalaram entre petistas mais radicais. Veja o cenário antevisto por Pomar caso o "playboy da direita" vença o pleito:

"(...) a quem fica se iludindo sobre 2018, eu prefiro dizer o seguinte: o caminho para ganhar em 2018 passa por ganhar em 2014. 
(...) se um feitiço desse a presidência ao playboy, é muito pouco provável que a direita cometesse o mesmo erro de 2005. Pelo contrário, tentariam criminalizar, processar e condenar o maior número possível de lideranças da esquerda. A começar por aquela que é a liderança mais querida pelo povo brasileiro."
É uma previsão perfeitamente lícita que, caso Aécio vença, ainda mais casos de corrupção e subversão da máquina pública surjam, sendo esse um dos principais aspectos vantajosos de uma derrota do PT.

Outro texto de Pomar teve circulação elevada em certos meios onde o petista especula sobre o posicionamento das esquerdas com relação ao PT e de como os interesses do Foro de São Paulo seriam caso o Brasil guine à "direita":
"Haveria muito que dizer a respeito da posição oficial do PSOL, mas o fundamental a ser dito, na minha opinião, é que subestima os danos que causaria, à classe trabalhadora brasileira e à esquerda latino-americana, uma vitória de Aécio.
Aliás, é muito revelador que partidos e pessoas que professam o internacionalismo secundarizem o impacto internacional que teria um giro à direita no governo do Brasil. 
Subestimar os danos que causaria, à classe trabalhadora brasileira e à esquerda latino-americana, uma vitória de Aécio também é o erro fundamental do PSTU, cuja posição está expressa no texto assinado por Valério Arcary. 
Arcary diz que o PT estaria 'exagerando nas tintas' e abraçando 'um discurso catastrofista que quer apresentar a disputa entre Aécio e Dilma como um armagedon político', numa 'campanha de dramatização [que] não é educativa'. 
(...) se acontecesse uma derrota, a principal responsabilidade política seria do meu partido, o Partido dos Trabalhadores. Mas uma 'oposição de esquerda' que valha este nome não pode subestimar o desastre que uma vitória de Aécio causaria para a classe trabalhadora brasileira e para a esquerda latino-americana.
(...) 
A estes eleitores, mais do que as comparações de praxe entre passado e presente, cabe lembrar que com Dilma haverá um ambiente político mais favorável à luta por mudanças importantes como a reforma política, através de uma Constituinte exclusiva; como a democratização da comunicação; como a revisão da Lei de Anistia; como a reforma tributária progressiva, com taxação das grandes fortunas; como a jornada de 40 horas; como a revisão do fator previdenciário; como a criminalização da homofobia; como a revisão dos índices de produtividade agrária."

Projetos importantes do PT entraram em curso nos últimos tempos (o que implica que perder o poder nunca esteve nos planos do PT), como a sovietização da vida pública brasileira e a nova constituinte.

O que particularmente me preocupa é um PT ressentido de volta à oposição.

Claro, é difícil falar agora pois parece que o PMDB está plenamente disposto a debandar, o que relaxa um pouco a questão do Congresso.

Mas ainda tem todas as "forças paralelas": Stedile dizendo que fará guerra se Aécio for eleito, todos os ~movimentos sociais~ que o PT pretende/pretendia conceder poder de Congresso etc. etc.

De resto, só o que podemos é aguardar e cravar com tranquilidade que uma derrota legítima do PT significa uma inflexão na política externa nacional (que já é temida na Bolívia).

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