quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Ainda sobre a pobreza intelectual e acadêmica do Brasil

Por André*,

Acadêmicos espanhóis traduziram toda a enorme Weltgeschichte alemã. Precisa de muita coragem, boa vontade e incentivo para tanto. O Brasil não tem nada perto disso. A idéia é simples: ou você traduz a grande produção intelectual do mundo para a sua língua ou produz algo melhor por conta própria. O Brasil escolheu não produzir e não traduzir. Na Espanha traduziram várias coleções (que chegaram ao Brasil indiretamente), como uma em 170 volumes produzida na França, a história comparada de Toynbee, em 12, e a Ancient e Modern History, da Cambridge, em 30. Isso são apenas alguns exemplos, para ficar só na área de História (imaginem nas outras): 

(10 volumes)


(11 volumes)


(12 volumes)

(170 volumes)


Um acadêmico brasileiro só de pensar isso já teria calafrios. Nosso atraso vem de longe e já era óbvio na década de 30. MAS... Temos traduções enormes de autoras feministas, literatura modernista tosca, radicais de todos os matizes, vários marxistas, muitos autores irrelevantes, genocidas (Hitler, Mao-Tsé Tung, Lenin), livros de história sem relevância alguma e uma enxurrada de sociologia tosca que não chega aos pés de um único sociólogo americano. A Itália tem coleções enormes em música, arte e filosofia, Alemanha e Inglaterra idem. Ah, mas o Brasil está retraduzindo Marx pela milésima vez, um autor que, se lido por inteiro, não te dá mais do que uma parcela ínfima de toda a história intelectual do mundo. Por isso somos o país mais burro do mundo e só temos Sakamotos escrevendo na imprensa. O maior filósofo brasileiro, que escreveu uma enciclopédia de 100 volumes sozinho, traduziu grego e alemão, falava umas 7 línguas ou mais, ah, esse ninguém sabe que existiu. E agora querem traduzir para o português autores de extrema-direita e extrema-esquerda da França e Rússia (e já estão fazendo).

A minha visão solitária e idiossincrática, mas de alguém que está na academia: a perspectiva de mudança disso é próxima de ZERO. O mercado editorial se abriu, o samba não tem mais uma nota só, mas os ataques à alta cultura nessas bandas são diuturnos. A burrice segue tendo um futuro promissor e o país segue com chances negativas de dar certo. Ensaiamos uma presença no universo da alta cultura há algumas décadas atrás, mas os rastros já foram devidamente apagados. Tudo que você tem no Brasil hoje é, no máximo, um "como você acredita em X, você (não) é Y?", ou seja, um determinismo rasteiro e dos mais fajutos. Essa é a regra em Pindorama e assim deve permanecer pelo próximo século. A vida intelectual não é para amadores.

*Agradecimentos ao amigo Tiago Bartz.

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