terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Reportagem sobre infanticídio indígena é pá de cal em elementos propagandísticos da ciência social

Por André,

No último domingo foi exibida no programa Fantástico uma reportagem sobre a prática do infanticídio em algumas tribos indígenas que abrigadas em território brasileiro.

Muitas questões podem ser erigidas aqui:

- como lidar com o subjetivismo ético, multiculturalismo e relativismo cultural em casos como esses? Matar bebês defeituosos, gêmeos etc é uma prática aceita e recomendável pela cultural local, dado o contexto não há problema algum.

A imoralidade do assassinato é um fato atestado por todas as culturas. Até mesmo porque nenhuma "sociedade" que aceitasse o assassinato sobreviveria por mais de duas gerações.

O relativismo moral está em moda. Ontem mesmo debati com um adepto. O sujeito, que parecia bem intencionado, fez um inventário de valores diversos e contraditórios, até me disse que segundo os esquimós é normal que os visitantes durmam com as esposas dos anfitriões e seria pouco educado não fazê-lo. Ao que repliquei que concordo que existem valores diversos e contraditórios, o que não implica que todos sejam certos ou devam ser aceitos.

Nessa era de relativismo, como condenar o infanticídio (em geral) e mais especificamente a prática tal como inserida em comunidades indígenas (o alarme do politicamente correto soa aqui)? O fato é agravado pelas leis brasileiras condenarem abertamente o infanticídio. O que fazer, existem grupos sociais e étnicos acima da lei nacional? Uma cultura que faz culto à morte deve ser tolerada?

- o mito do indígena como "bom selvagem" é refutado pela enésima evidência conhecida.

Embora largamente refutada pela pesquisa acadêmica livre de engodos ideológicos, ainda é uma peça de propaganda das ciências sociais a ideia que indígenas são "bons selvagens", ou seja, grupos étnico-sociais que não conheciam a maldade, doença, conflito etc antes do contato com o homem branco.

A prática do assassinato deliberado em nome de crenças religiosas e outros misticismos é velha conhecida do continente americano e data de muito antes do contato com os europeus.

De bons selvagens corrompidos pela sociedade civil os indígenas não têm nada e visto que o ardil teórico do bom selvagem não goza de nenhuma credibilidade científica, insistir nele se torna uma pura peça de propaganda ideológica.

- filhos oriundos de adultério ou fora/antes do casamento também podem ser condenados à morte.

Os indígenas não seriam seres livres do moralismo e que regem suas vidas de acordo com as "leis" da natureza? Não parece a condenação ao adultério extremamente "cristã"?

A suposta pureza moral indígena mais uma vez refutada pela realidade experimental. A moralidade indígena, na melhor das hipóteses, não serve de exemplo para ninguém. Praticar apologia da moralidade indígena em detrimento da moralidade civilizada é, mais uma vez, pura peça de propaganda.

- muito embora a cultura local permita e incentive o infanticídio, muitas mães se negaram a fazê-lo, como explicar?

Esse aspecto constatado é a cereja do bolo. É o bônus.

O pessoal adepto do determinismo cultural/social deve estar arrancando os cabelos vendo a boa e velha propaganda das ciências sociais sendo refutada.

Se os valores são determinados pela cultura, por que a cultura local não determina o comportamento de todas as mães e todas simplesmente matam os filhos socialmente indesejáveis?

O que é que fala mais alto e muitas vezes leva certas mães a não compactuarem com o assassinato dos filhos? Instinto materno? Algum tipo de moral natural?

Responder isso é o menos importante. O fato simples e interessante é: a cultura NÃO é determinante, caso fosse, todas simplesmente subscreveriam o infanticídio. Alguma coisa, seja lá o que for, se sobrepõe à cultura e impede que ao menos alguns bebês sejam assassinados.

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