sábado, 17 de janeiro de 2015

Bento XVI e o Discurso de Regensburg sobre a natureza do Islã

Por André,


Muitos dos meus leitores mais chegados e amigos próximos sabem das minhas contendas com a religião, mas desde muito superei o anticlericalismo estridente e admiti o cristianismo cultural e moral que é melhor que todas as alternativas disponíveis.

Bento XVI antes de ter sido papa da igreja católica é, antes de tudo, um acadêmico e é tido por muitos como o maior teólogo vivo, então suas opiniões sobre a natureza da religião são válidas. Apesar do alarido causado à época, com os acontecimentos recentes as opiniões de Joseph Ratzinger vem se mostrando incrivelmente precisas.

O que inicialmente foi considerada uma gafe hoje se revela uma profecia: Bento XVI e o Discurso de Regensburg.

Em 12 de setembro de 2006, durante sua viagem a Alemanha, Bento XVI proferiu um discurso em Regensburg com o título:"Fé, razão e universidade". Em determinado momento, o Papa afirma:

“O imperador [Manuel II Paleólogo] sabia seguramente que, na sura 2, 256, lê-se: ‘Nenhuma coação nas coisas de fé’. Esta é provavelmente uma das suras do período inicial – segundo uma parte dos peritos – quando o próprio Maomé se encontrava ainda sem poder e ameaçado. Naturalmente, sobre a guerra santa, o imperador conhecia também as disposições que se foram desenvolvendo posteriormente e se fixaram no Alcorão. Sem se deter em pormenores como a diferença de tratamento entre os que possuem o «Livro» e os «incrédulos», ele, de modo surpreendentemente brusco – tão brusco que para nós é inaceitável –, dirige-se ao seu interlocutor simplesmente com a pergunta central sobre a relação entre religião e violência em geral, dizendo: «Mostra-me também o que trouxe de novo Maomé, e encontrarás apenas coisas más e desumanas tais como a sua norma de propagar, através da espada, a fé que pregava» (Controvérsia VII 2c: Khoury, pp. 142-143; Förstel, vol. I, VII Dialog 1.5, pp. 240-241)”.

O mundo islâmico reagiu a esse discurso com uma violência assustadora: bonecos representando Bento XVI eram queimados nas ruas. Morte ao papa! Também a imprensa internacional taxou o discurso como a maior gafe já cometida por um pontífice.

Hoje,com cristãos sendo exterminados pelo Estado Islâmico e com o recente atentado em Paris, seria o momento de reconsiderar as palavras de Bento XVI como uma sensata profecia.

Sugiro a todos uma releitura do discurso à luz dos acontecimentos recentes:

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