segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Eric Hobsbawm e a matança justificada em nome do paraíso pós-apocalíptico

Por André,

Já abordei em alguns textos a questão da relação entre ideologias políticas e pensamento messiânico ou apocalíptico, o fenômeno foi magistralmente estudado e explicado por Eric Voegelin. Para quem está adentrando o assunto agora, recomendo a leitura do excelente "Missa Negra" de John Gray.

O pensamento messiânico das ideologias totalitárias se dá da seguinte forma: um endeusamento radical do futuro, o presente como campo de ação para o estabelecimento desse futuro paradisíaco pós-apocalíptico, quaisquer meios para atingir este fim estão automaticamente justificados em nome do bem maior a ser realizado nesse futuro, inclusive o extermínio de quantos milhões for necessário. É a realização maior, ainda que pueril de tão radical, do lema "os fins justificam os meios".

Também é preciso deixar bastante delimitado que a matança perpetrada por regimes revolucionários não é consequência aleatória do mesmo, mas sim seu corolário. No percurso rumo ao mundo melhor pós-apocalíptico é indispensável que TODOS os opositores à revolução (reacionários, "inimigos da pátria", "traidores da classe" etc) sejam perseguidos, encarcerados, escravizados e/ou exterminados. Isso não é uma efeito colateral fortuito e temos exemplos históricos mais que suficientes para sustentar esse fato.

Esse aspecto dessas doutrinas é mais um que torna evidente a natureza REVOLUCIONÁRIA de ideologias como nazismo e comunismo. Muito se discute sobre a localização das mesmas no espectro político, quando seu conteúdo ideológico responde por si mesmo. Tanto Hitler quanto Trotski, Lênin e Stalin pretendiam criar um NOVO homem. É evidente que para isso é necessário: a) uma inversão radical, total e completa na ORDEM da realidade (Voegelin) e b) a eliminação SISTEMÁTICA de quem impede isso, judeus, kulaks, burgueses etc. Visto desse ângulo, perseguir por motivos raciais ou classistas é quase que indiferente, a questão reduz-se a um mero detalhe ideológico insignificante com tantos outros detalhes que unem as duas ideologias citadas.

Abaixo segue o trecho de uma famigerada entrevista com o historiador marxista aclamadíssimo Eric Hobsbawn, livro de cabeceira da historiografia marxista e presença garantida em concursos públicos, ENEM etc onde o mesmo admite que se o comunismo tivesse "dado certo" teria valido a pena assassinar 20 milhões de pessoas. O que impede que matem-se mais 20 em uma nova tentativa?


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