terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Vargas Llosa sobre arte e cultura e seu novo livro "La civilización del espectáculo"

Por André,



De entrevista para a revista Cult.

- O senhor diz que, no campo das artes visuais, especialmente depois de Marcel Duchamp e Andy Warhol, não há mais distinção entre o que é canônico e highbrow e o que não é. Tudo tem valor estético, dependendo de gosto. Por que isso representa um problema? 
- "Porque depende do que você entende por arte. Se você acredita que a arte é uma diversão, não há nenhum problema. Você pode buscar coisas que são originais e banais, coisas que são sérias e que não são sérias. Mas se você acha que a arte tem a função muito mais importante que a de entreter e divertir, que é a de preocupar, de te abrir janelas para determinados problemas existenciais, políticos, culturais, filosóficos; então a confusão de valores, de não saber distinguir o que é belo, o que é feio, o que é autêntico, o que é postiço e artificial, sim, é bastante grave. 
Essa é uma conclusão relacionada à cultura, à vida das pessoas, aos valores que regulam a conduta das pessoas. E num campo sobretudo isso é muito perigoso, que é o campo da vida pública, a vida cívica. O espírito crítico desaparece, se deprava, degenera. A liberdade e a democracia sofrem uma ameaça muito considerável. Isso para mim é consequência de confundir arte com lixo, a arte autêntica com a arte dos trapaceiros, dos palhaços.

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