segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A esquizofrenia do debate público mundial

Por André,

Já tratei do assunto de como vejo o debate público atual sobre diversos temas, mas particularmente do debate sobre o radicalismo islâmico. Qualquer defensor, islâmico ou não, saca da manga o clássico "mas é apenas uma minoria que é radical". O que isso realmente quer dizer? Quanto conhecimento ganhamos quando constatamos que apenas uma minoria de muçulmanos apoia atos terroristas, decapitações etc?

Nenhum conhecimento, absolutamente. Praticamente TODO tipo de problema é perpetrado por minorias. Mesmo num país extremamente violento como o Brasil, com mais de 60.000 homicídios anuais, apenas uma minoria da população brasileira é violenta. Apenas uma minoria das torcidas de futebol é violenta ou membro de alguma organização hooligan. A minoria dos alemães ao longo da história era nazista. Sempre que houver um problema, ele será praticado pela minoria. Quando se tratar da maioria, provavelmente o problema em questão não é considerado um problema concreto (que mulheres e homens se sentem separadamente não é exatamente um problema para praticantes do islã).

E é preciso chamar a atenção para um detalhe aqui: nenhum brasileiro merece condecorações por não cometer homicídios, nenhum torcedor de futebol merece cadeira cativa por não ser hooligan e nenhum muçulmano merece o Nobel da paz por não aprovar atos terroristas.

Portanto, ficar horas e horas se estapeando para decidir se é a maioria ou a minoria de muçulmanos que é radical é deixar o debate às raias da insanidade total e completa. Sim, é a minoria. Não, isso não tem significância alguma para a discussão porque é uma obviedade.

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