sábado, 14 de fevereiro de 2015

A glamourização da barbárie e a segunda regra para um radical de Saul Alinsky

Por André,

No final do ano passado o professor Rodrigo Gurgel publicou um artigo - reproduzido na edição impressa de 2015 do Mídia sem Máscara - tratando de um dos atuais problemas culturais que enfrentamos: o endeusamento da "cultura da favela" e a crença que ela é perfeita e mais que suficiente para os que nasceram numa favela.

Há vários meses assisti, no YouTube, à gravação de um evento numa das favelas pacificadas do Rio de Janeiro. Diante do público formado por jovens, alguns escritores — parte deles desconhecida para mim — falavam sobre suas experiências com a criação literária e davam conselhos.

No local abarrotado de jovens, um dos iluminados palestrantes insistia no fato de que eles não deveriam se preocupar com o que existia fora da favela, que aquele era um mundo que já lhes oferecia inúmeras possibilidades de criação, de desenvolvimento da sua arte.

Todo o discurso estava construído sobre uma retórica exageradamente otimista e falsa: a de que a favela, agora “pacificada”, era o melhor dos mundos.

O palestrante era uma espécie de reencarnação carioca do Dr. Pangloss.

Enquanto assistia ao vídeo, lembrei-me de Machado de Assis — e do que teria sido dele, da sua inteligência, da sua sensibilidade, se não tivesse lutado para abandonar o Morro do Livramento, se não tivesse recebido a ajuda de Francisco de Paula Brito e, trabalhando como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, as orientações severas e amigas de Manuel Antônio de Almeida.

O palestrante, certamente, não se lembrou de Machado.1 E também não leu a obra do psiquiatra a escritor Anthony Daniels, que assina seus livros com o pseudônimo de Theodore Dalrymple.

Num dos capítulos de A vida na sarjeta — O Círculo Vicioso da Miséria Moral, publicado no Brasil pela É Realizações, Dalrymple fala sobre a “terrível fatalidade que pode recair sobre um ser humano: nascer inteligente e com sensibilidade em um bairro pobre inglês”.

Segundo Dalrymple, “é como uma tortura requintada, longa e vagarosa, imaginada por uma divindade sádica de cujas maldosas garras é quase impossível fugir”.

Vivendo nessas comunidades e atendendo, como médico, os moradores locais, Dalrymple constatou o que assisti no vídeo do YouTube — e o que estamos cansados de ver nas escolas contemporâneas: “Os professores de hoje, impregnados da idéia de que é errado ordenar hierarquicamente civilizações, culturas ou modos de vida, negam o valor de uma civilização superior e são incapazes de transmiti-lo. Para eles não há altura ou profundeza, superioridade ou inferioridade, profundidade ou superficialidade: há somente diferença. Duvidam até mesmo de que exista um modo correto e um modo errado de grafar uma palavra ou construir uma frase”.

E, acreditem, encontrei no texto de Dalrymple a cópia fidedigna do que me indignou no vídeo: “Os professores de hoje”, diz nosso autor, “pressupõem que a criança dos bairros pobres está plena e culturalmente guarnecida do necessário no ambiente em que vive. Seu discurso é, por definição, adequado às necessidades; seus gostos são, por definição, aceitáveis e não piores ou mais baixos que quaisquer outros. Não há motivos, portanto, para introduzi-las a nada”.

O cinismo desses professores e intelectuais é insuperável. Muitos repetem esse discurso sem se importar com o fato de que estudaram em grandes universidades, ganharam bolsas no exterior e hoje vivem refestelados em bairros de classe média, usufruindo das oportunidades, do acesso à alta cultura, comunicando-se numa linguagem perfeita, culta — mas argumentando, como bons demagogos, como bons populistas, em favor da glamourização da favela.

Esses intelectuais não mostram como “a cultura de periferia é monolítica e profundamente intolerante” — e certamente basta, ao leitor atento, o termo “pacificada”, no qual encontra-se escondida a verdadeira guerra civil que esses bairros enfrentam.

Não entendo como podemos mentir de forma tão descarada para nossos jovens.

Dalrymple narra, em A vida na sarjeta, casos concretos de jovens inteligentes e sensíveis que foram destruídos pela cultura local, destituída de “fé na hierarquia de valores”.

É exatamente o que a reencarnação carioca do Dr. Pangloss defendia no vídeo: uma cultura na qual “o conhecimento não é preferível à ignorância”, uma cultura em que “os inteligentes e os que têm sensibilidade sofrem a perda total do significado das coisas”.

Leiam Dalrymple, assistam a esses programas transmitidos pelo canal GNT ou pela Globo, em que a favela é glamourizada, enaltecida como o melhor dos mundos — e depois me respondam o que teria sido da literatura brasileira se o mulato pobre Machado de Assis não tivesse lutado para abandonar o morro.
O artigo do professor Gurgel remete à segunda "regra para radicais" do militante de esquerda americano Saul Alinsky, figura essencial para entender as estratégias da esquerda americana e, por consequência, mundial:
"Nunca vá alem da especialidade dos seus pares"
Alinsky está dizendo que, em formado os guetos, de negros, latinos, homossexuais, afro-americanos etc. etc., tudo que lhes basta são os seus pares. Cultura LGBT, cultura negra, cultura latina. Nunca saia da sua "cultura da favela", ela é mais que suficiente para você. Quanto mais divisões tivermos, melhor. Soa familiar para você?

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