quinta-feira, 14 de maio de 2015

Absurdos do politicamente correto começam a incomodar e deixar perplexas gentes de não-direita

Por André,

Tanto o pessoal de esquerda quanto os alegadamente ~neutros~ e libertários sempre consideraram, ou ao menos flertaram com a ideia, de que o politicamente correto não é tão mal assim e que muito do que é dito sobre esse assunto na verdade é paranoia da direita neoconservadora reacionária que quer ser racista sem ninguém pra encher o saco, macartista, olavete que vê comunista embaixo da cama.

Pois bem, as coisas tomaram proporções tão colossais que mesmo aquele pessoal que gosta de posar acima do bem e do mal, que não é nem de direita nem de esquerda, "muito pelo contrário", está começando a ficar assustado com o andamento da coisa.

Um dos primeiros acontecimentos na esteira dessa linha de raciocínio eu li numa publicação sobre um aviso sobre o teor de um livro que reunia as três críticas kantianas. O início do texto do sujeito que aponta o aviso e se ultraja com a existência do mesmo cai no conto do "ser politicamente incorreto é ferir a 'decência' humana". Mais uma vez a novilíngua esquerdista saiu vencedora, pois embora desgostoso com o aviso, a pessoa incomodada com o mesmo crê que ou você é politicamente correto ou você é um fascista que empurra velhinhas da escada e joga ceguinhos na frente de carros no farol, sendo que qualquer um mais intimizado com esse debate sabe que a questão vai para além desses sentimentalismos.

Hoje, após uma turma de estudantes se sentir incomodada com o teor da obra de Metamorfoses do poeta romano Ovídio, leio texto em que Jerry Coyne segue a mesma trilha - Jerry é um biólogo evolutivo, alguém muito próximo aos cavaleiros do ateísmo etc. Coyne chama a cambada que quer por censuras ao poeta de "fascistas literários" (opa! quem sempre disse que o politicamente correto nada mais é que um eufemismo para fascismo? A direita "macartista", ela própria). Ainda assim, no início do texto, Coyne choraminga que esse tema sempre é coberto pela "mídia de direita" e que ele tampa o nariz quando lê esses periódicos. Pois é, Jerry, nós avisamos o tempo todo!

Por aqui as coisas não são diferentes. Além das pessoas "neutras", até mesmo alguns membros da esquerda "tradicional", aquela que quer matar burgueses na guilhotina e pegar em armas pra fazer uma revolução está se sentindo incomodada com os filhotes de Foucault soltos por aí que só sabem dizer que um pênis não prova que alguém não é mulher ("desbiologizar a vida"). Casos mais recentes que causaram essa estranheza tanto na esquerda quanto nas pessoas ideologicamente neutras:

- O caso do transsexual lésbico. O caso pode ser lido aqui. (e o comentário de uma mulher lésbica que acha que o cara não pode ser trans lésbico pode ser ao clicar no link).

- A professora da USP que sabe-se lá porque está sendo acusada de racista e sendo perseguida por afronazistas (o caso já é pelo menos o terceiro, duas outras aulas foram invadidas por militantes racialistas). A turma da tolerância argumenta que não vão ser tolerantes com alguém que discorda deles e a marcha do afrofascismo só se faz avançar no Brasil. Eis que:


- Até o geneticista mirim, o ilustre Eli Vieira, está saturado da militância que ele próprio ajudou a criar e fez ao menos dois posts surpreendentes reclamando da gestapo racial/de gênero: aqui e aqui.


Ventos de mudança? A absurdidade dessa agenda ideológica está começando a ficar evidente a qualquer um que não tenha sido lobotomizado e a está empurrando para o seu lugar natural (o lixo)? Cedo para dizer, mas não dá para negar que a situação é menos pior do que poderia ser, embora eu seja da opinião que as coisas ainda devem piorar bastante antes de melhorar.

Quem quiser conhecer mais esses lunáticos da direita hidrófoba que disseram que tudo isso ia acontecer exatamente desse jeitinho recomendo o vídeo a seguir, do sempre brilhante Bill Whittle:



Vejam também o depoimento desse professor americano sobre sua experiência no combate ao politicamente correto e sua defesa da liberdade de expressão:

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