quarta-feira, 6 de maio de 2015

Futuro da Grã-Bretanha é decidido amanhã numa das eleições mais disputadas dos últimos tempos

Por André,

Da esquerda para a direita: Nick Clegg (lib-dem), David Cameron (conservador), Ed Miliband (trabalhista) e Nigel Farage (UKIP).

Amanhã, dia 7 de maio, o futuro da Grã-Bretanha está em jogo. Ou teremos a manutenção do governo conservador de David Cameron ou o retorno do partido trabalhista ao poder, com Ed Miliband - uma versão de Barack Obama com sotaque britânico (e língua presa).

A disputa é acirrada e as últimas pesquisas indicam uma vantagem de 1% para David Cameron. Contudo, uma vitória não é garantia de governabilidade. Nem Cameron nem Miliband conseguirão maioria no parlamento britânico, o que indica que os dois terão de exercitar suas habilidades políticas para formar coalizões.

Embora o UKIP, partido que angariou o voto da direita na Grã-Bretanha deva conseguir poucos assentos, seu líder, o ultracarismático (o candidato nega fazer parte da "classe política", isto é, dos políticos feitos de plástico, foi um profissional de sucesso do mundo dos negócios, além de ser um inveterado fumante e bebedor de cerveja) Nigel Farage deve obter o surpreendente terceiro lugar. Por suas posições eurocéticas, anticorporativas e anti-imigração Farage é diariamente vilipendiado pela mídia. Já comprou uma briga com a plateia da BBC e com a própria emissora (e promete reavaliar o montante de dinheiro destinado à estatal em eventual governo seu). Ainda assim, o candidato, atinado com as preocupações das pessoas comuns do Reino Unido, tem 14% das intenções de voto, deixando pra trás o liberal-democrata Nick Clegg (Clegg, vale lembrar, fez parte do último governo Cameron, o que aumenta ainda mais o simbolismo da vitória de Farage).

Penso que o melhor dos quadros possível (dentro das possibilidades concretas, é claro, visto que a vitória de Farage é altamente improvável) seja o seguinte: vitória de Cameron, cartas na manga apropriadas para formar uma coalizão que lhe garanta governabilidade, UKIP com a maior quantidade possível de assentos, de forma que garanta um referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia com as condições adequadas.

Pior quadro possível: Ed Miliband eleito, formando coalizão com o partido nacionalista escocês, SNP e sendo controlado pelo mesmo, em termos econômicos mais gastos e mais empréstimos, Reino Unido fora dos trilhos por pelo menos cinco anos.

Confesso que o quadro me preocupa. Aguardemos para sexta-feira o resultado das eleições com apreensão.

ADENDO POSTERIOR AO RESULTADO

Os conservadores, liderados por David Cameron, conseguiram maioria de assentos e sequer precisarão formar coalizão, o que significa uma governança mais desimpedida. As pesquisas prévias à eleição se mostraram incrivelmente erradas, o que significa que a Grã-Bretanha também tem seu Ibope e seu IPEA.

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