terça-feira, 23 de junho de 2015

A estratégia do reforço de narrativas chegou ao Brasil

Por André,

Nos últimos dias estamos observando uma série de notícias de agressões mal-explicadas contra membros de religiões de matriz não-cristã. Os casos supostamente evidenciariam que o Brasil é um país religiosamente intolerante. O mesmo país cuja maior emissora de TV vez sim vez não faz novelas com conteúdo espírita e já teve uma novela das 9 cujo tema principal foi a deusa Iemanjá.

A semelhança com a cantilena do "Brasil homofóbico" é a mesma. Menos de 0,5% dos homicídios do país seriam, supostamente, motivados por razões de cunho homofóbico, em números brutos, cerca de 400 casos. A morte de travestis mortos por outros travestis envolvidos com prostituição e drogas entra na conta da homofobia inata do brasileiro, é culpa dessa nossa sociedade "conservadora". Travestis agredindo senhoras idosas não gera uma estatística especial a ser lembrada por todos os meios de comunicação dia sim e dia também. 

Tudo isso demonstra a importação de outro esquema de ação da esquerda americana: o reforço de narrativas (já mencionei coisa parecida quando trouxe o vídeo de Bill Whittle sobre o famigerado politicamente correto). A ideia remete ao próprio conceito de narração: uma história criativa, com começo, meio e fim delimitados e onde o autor é livre para exercer toda sua criatividade e impor seus desejos, vontades e valores na história. O problema se dá quando as narrativas deixam o terreno da literatura e começam a fazer parte da história, da política e do jornalismo.

O debate público americano, fomentado nos departamentos de humanas das universidades, é o patriarca da estratégia. A morte de jovens negros por policiais brancos comove o país inteiro e o mundo, protestos massivos são organizados e a consequência é óbvia: está reforçada a ideia que os EUA é um país profundamente racista. O mesmo país que elegeu e reelegeu um presidente negro que era praticamente um desconhecido antes de ter sua candidatura lançada.

Aqueles que pretendem reforçar as narrativas sabem perfeitamente que elas são mentirosas. Dados do FBI provam que a maioria esmagadora dos crimes cometidos contra negros nos EUA são cometidos por outros negros, conforme gráfico abaixo (e conforme eu mesmo já havia abordado aqui):


A própria existência dessas narrativas já mostra que suas bases são completamente infundadas. Se a explicação para a morte de negros é o racismo, como explicar que tantos negros matem outros negros? Será que não se trata de causas muito mais profundas, mas que não reforçam nenhuma narrativa agradável no momento? Larry Elder, a quem cito no link anterior, aventa a possibilidade da desestrutura familiar ser um fator muito mais importante que o racismo. Contudo, será que as pessoas interessadas em reforçar a narrativa do racismo teriam algum interesse em tornar evidente que a falta de uma família coesa, isto é, com a presença garantida de um pai e de uma mãe é um problema grave?

O fato a se chamar a atenção, portanto, é esse. Essa estratégia chegou ao Brasil, o país que supostamente mata 400 homossexuais por serem homossexuais, embora mate outras 59.600 pessoas e que dá o prêmio do maior reality show do país a um homossexual e depois o elege e reelege é homofóbico. Nada mais natural que a necessidade de se reforçar a narrativa que o Brasil é homofóbico se você não apenas quer mas precisa inflamar uma militância que moverá muito dinheiro estatal.

O mesmo vale para a militância feminista, que já fez um mural da vergonha para "estupradores" (estupradores: homens que olharam para a bunda delas, homens que saíram com elas na segunda e não retornaram na terça, homens que discordaram delas em debates sobre feminismo).

E last, but not least, dando azo à contenda do momento entre Malafaia e Boechat, só esta semana devem ter pipocado ao menos uns cinco casos, num país de 200 milhões de habitantes, de agressões de supostos cristãos fanáticos contra espíritas e umbandistas. Certamente tal fato atesta que vivemos numa teocracia de tipo iraniano, caso acatemos à narrativa comprada pela imprensa.

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