domingo, 28 de junho de 2015

A hipocrisia dos que celebraram a legalização do casamento gay nos EUA

Por André,

Esquerdistas descobriram que as instituições americanas são o que de melhor foi produzido em termos de organização política. Suas instituições, a democracia, o liberalismo, o capitalismo. Tudo isso junto forma o caldo que permite a preservação legal e moral de direitos individuais legítimos. É também uma vitória do tipo de direito praticado na América, como mais uma vez ilustrou brilhantemente o amigo Flavio Morgenstern.

Quando confrontados com esse fato, esquerdistas tentaram explicar a comemoração: é vitória do "movimento", não do país. Não passa pela sua cabeça que a mera existência do tal movimento só é possível e só faz sentido numa nação com as instituições supracitadas. Basta pensar porque o movimento conseguiu isso na América e não na Venezuela, no Irã ou na Rússia. É só fazer a equação, cortar o que todos esses países têm em comum e ver o que sobra. CQD. Os militantes não percebem isso porque são homem-massa:
José Ortega y Gasset dizia lá no seu "A Rebelião das Massas" que uma característica marcante do homem-massa é que este seja "destituído de sua história". O homem-massa acha que a roda foi inventada ontem, para uso dele e que ele não deve sequer um "obrigado" para quem a inventou. O homem-massa não se vê como herdeiro de nada; tudo caiu do céu ontem para seu bel-prazer. 
A questão do "devemos agradecer aos EUA" pela legalização do casamento gay passa por esse ponto. NÃO é vitória do movimento coisa nenhuma. Esse movimento existe e surgiu onde, no vácuo? Não, meus caros. Ainda que tenha sido uma canetada do judiciário com consequências possivelmente nefastas, o tal ~movimento~ só existe porque as instituições ali vigentes permitiam que ele existisse. As leis, as normas, a Constituição que garante a liberdade de expressão. Movimentos existem em diversos lugares, mas apenas graças aos dispositivos legais vigentes naquele lugar os movimentos fazem algum sentido. 
Nada de querer levar todo o crédito, nada de achar que as instituições e poderes seculares foram inventados por você ou para você. SE essas pessoas fossem honestas, coisas que elas não são, e SE realmente estivessem preocupadas unica e exclusivamente com direitos individuais, o que também não é verdade, elas deveriam fazer o que não estão fazendo, agradecer à história que permitiu sua mera existência. 
Se você acha que a vitória é do movimento pergunte porque os movimentos LGBT não conseguiram coisa parecida em países não-ocidentais, destituídos das nossas instituições e aparelhos democráticos.
O mesmo é válido para todos os demais países que já legalizaram o casamento homossexual: países ocidentais, com instituições ocidentais:


E inclusive para Israel, uma vanguarda ainda mais significativa para o tema. Será que teremos mais boicote a Israel? Eis o que temos em Tel Aviv (será que temos na Palestina?). A mesma esquerda limpinha que boicota Israel se rejeita a boicotar o ISIS, enquanto este ultimo semanalmente divulga vídeos de gays sendo arremessados do alto de prédios.

Vejam só o que a nação que merece boicote, sanção da ONU e mais ojeriza que o ISIS fez pelos homossexuais nos últimos 50 anos:

- desde 1993 a união civil de pessoas do mesmo sexo é permitida em Israel;
- desde 1993 a homofobia é crime em Israel;
- desde 2006 o casamento gay é ratificado em Israel;
- desde 1993 gays são aceitos nas forças armadas;
- desde 1993 existe Parada Gay em Israel;
- desde 2005 gays podem adotar filhos em Israel;
- desde 2006 é ensinado o respeito a homossexuais em escolas de Israel;
- desde 1963 as relações homossexuais são legais em Israel;
- desde 2013 transexuais podem servir o exército com o novo gênero em Israel;
- desde 2011 cônjuges homossexuais garantiram a lei do retorno em Israel;
- desde 2014 homossexuais são protegidos nas escolas de Israel;
- desde 1970 existem organizações a favor dos direitos LGBT em Israel;


Embora a vitória dos direitos individuais seja uma vitória que deveria ser creditada e atribuída a liberais e a conservadores, quem sai no débito dessa coisa toda é a direita. Perdemos a guerra política há 50 anos atrás para a "New Left" americana, a turma do Bill Ayers, do Saul Alinsky, os herdeiros dos herdeiros do marxismo, os caras que conseguiram forjar uma nova ação revolucionária para a esquerda, depois que ninguém mais queria matar a burguesia porque o capitalismo colocou todo mundo na classe média. A esquerda que queria matar o último burguês enforcado com a tripa do último padre hoje coloca arco-íris no avatar de uma rede social americana e consegue sair com saldo positivo da disputa. Em postagem de sua página o amigo Alexandre Borges mostrou qual a caminho a direita deve tomar caso queira vencer as disputas públicas.

Esse debate, como tantos outros encabeçados por essa mesma esquerda, tem duas camadas: gente que realmente está preocupada com os direitos de indivíduos homossexuais e gente que instrumentaliza a questão para puxar pro debate público outros tópicos da sua agenda. Isso pode ser observado pela argumentação utilizada em favor do apoio.

Toda a histeria coletiva das redes sociais foi movida pelos perigosíssimos slogans "mais amor por favor", "o amor venceu", "é tudo uma questão de amor". Se o grande mote para a defesa do casamento gay é apenas uma questão de amor, então estamos em maus lençóis. Devemos imediatamente legalizar a poligamia (se eu amo 6 mulheres e essas 6 mulheres me amam, quem pode/deve me proibir de casar com todas elas? Se o critério simplesmente for o "amor", ninguém) - essa pauta já se encontra em discussão; devemos imediatamente legalizar a pedofilia, pois esta não é uma doença, um comportamento abjeto, um crime, mas apenas uma variante de comportamento afetivo que deve ser legalizado e talvez incentivado - essa pauta também já está mais que presente no debate público (e aqui). É o velho problema de tentar criar qualquer tipo de política a partir dos sentimentos das pessoas, sentimentos, que são por definição subjetivos, não podem servir de arcabouço para a criação de leis. Além da poligamia e da pedofilia, isso nos levará à celebração legal da zoofilia e até mesmo do "casamento" com objetos inanimados. Judeus odeiam nazistas, nazistas odeiam judeus, apenas com o sentimento de ódio dos dois, o que é possível fazer legalmente?

Desse modo, os que trocaram de foto no Facebook são tão hipócritas quanto Obama, Hillary e toda a esquerda que está interessada em instrumentalizar a população LGBT para sua agenda maior. Onde quer que direitos LGBT existam, o imperativo econômico e político NÃO é o socialismo/comunismo. A vitória da semana foi da tradição ocidental, da América, da democracia, do liberalismo, de tudo que o partido Democrata e a esquerda mais odeia. Ainda assim deixamos eles saírem com a vitória pública.

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