quinta-feira, 11 de junho de 2015

Alguns elementos do 5º Congresso Nacional do PT

Por André,


Os "Cadernos de teses" do PT causaram um boom nas redes. Me abstive de quaisquer comentários no momento. Tanto porque não sabia exatamente o seu significado mais concreto, a razão dos mesmos terem sido liberados ao público e seu conteúdo assustador, como por exemplo, coisas como a estatização da rede Globo. Um comentário pertinente a esses cadernos podem ser lidos no site Reaçonaria, o texto é de autoria do amigo Filipe Martins.

A ideia que o PT é comunista ou socialista segue sendo objeto de escárnio pois se trataria, mais uma vez, de "teoria da conspiração". A saída pela tangente não engana só os mais inocentes, até críticos ferozes do PT como Marco Antonio Villa acham que o PT não é comunista porque não quer ou não está socializando os meios de produção. É como ver um objeto tal e decidir se o tal objeto é ou não o que se diz que é apenas após uma conferida no verbete do dicionário. Um equívoco pueril.

Se a explicação mais teórica, mostrando que a mudança de estratégia da esquerda revolucionária já se passou e discutir se quaisquer adesões - pequenas ou grandes - ao capitalismo denotam ou não traição da causa é puro engodo, talvez a fala de petistas jurássicos ajude algumas pessoas a entender a questão. O fato do PT não estar enforcando burgueses não quer dizer em nenhum sentido que o partido tenha cedido um milímetro sequer em sua estratégia de poder socialista.

No vídeo acima fica claro que a vertente revolucionária economicista está totalmente superada e que duas palavras costuram praticamente todas as falas: hegemonia e projeto. O que sempre esteve e continua em jogo é um projeto de poder que visa a implementação de uma hegemonia socialista que vai muito além da socialização dos meios de produção.

Emir Sader fala claramente na versão revolucionária gramsciana no início do vídeo: a questão é estabelecer uma hegemonia de valores a ponto até que seus adversários usem sua linguagem, compartilhem os seus valores e estejam encarcerados pelas suas categorias de pensamento. Ter a força de um imperativo categórico, como dizia o próprio Gramsci. Mesmo que a luta armada seja justa (sim, para o nobre Emir Sader, ela é), ela é, nas palavras do próprio, ineficiente.

Depois descobrimos que a estratégia do PT pode ser chamada de "democratização profunda". AO nome do processo de criação de um ambiente em que todos pensam como militantes petistas é "democratização". O processo democrático tal como está aí serve para extirpar partidos de esquerda. A discussão de minúcias econômicas como taxa de superávit não é relevante para esse processo de democratização.

A prisão de Vaccari foi "um momento duro". A despeito de todas as acusações, certamente mais um embuste armado pelos imperialistas que querem proibir pobres de andar de avião, o mesmo deveria ter tido seu cargo resguardado.

Embora após quinze (??) anos de governança petista, o processo de disputa sobre a CONSCIÊNCIA do "povo" brasileiro ainda não foi dado.

O feminismo petista é anticapitalista. Antirracista porque antineoliberal (???). Não há feminismo sem socialismo. À parte da querela de que existem "esquerdaS" e não uma esquerda, torno a enfatizar o caráter unitário das esquerdas na escolha de seus inimigos de front. Feminismo supostamente não é femismo, misandria, anti-homenismo etc, mas não há militância feminista dissociada de anticapitalismo.

Outro tema central aos debates foi a questão da imprensa. A proposta inicial é retirar qualquer subsídio da imprensa que, de alguma forma, atravanca o avanço da agenda de "democratização" petista. Jornais ""da sociedade"" e dos movimentos sociais devem receber o dinheiro. A comunicação é um problema. 

E por fim, mas não menos importante, onde estavam os black blocks para detonar com os manifestantes da Paulista? 

Alguém ainda acha que o PT não é um partido de esquerda que quer implantar o socialismo só que não pela via da força e da socialização forçada dos meios de produção?

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