quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Edmund Burke e os trejeitos do apaixonado

Por André,



Quando estamos diante de objetos que incitam amor e contentamento, o corpo é afetado, tanto quanto pude observar, da seguinte maneira. A cabeça pende ligeiramente para um lado; as pálpebras se fecham mais do que de costume e os olhos giram docemente em direção ao objeto; a boca entreabre-se e respira lentamente, emitindo de tempos em tempos um breve suspiro; o corpo todo se recompõe e as mãos quedam-se dolentemente para os lados. Toda essa atitude é acompanhada de uma sensação interior de ternura e langor. Esse aspecto é sempre proporcional ao grau de beleza do objeto e à sensibilidade do observador. E não se deve esquecer nem essa gradação, desde o mais alto nível de beleza e de sensibilidade até o mais baixo de medianidade e de indiferença, nem tampouco seus efeitos correspondentes, do contrário essa descrição parecerá exagerada, o que certamente ela não é. Porém, é quase impossível deixar de deduzir dessa descrição que a influência da beleza consiste em relaxar as parte sólidas do corpo todo. Existem todas as evidências de tal relaxamento, e a causa de todo prazer positivo parece-me estar em uma distensão um pouco abaixo do tono normal.

Seção XIX, A causa física do amor.

BURKE, Edmund. Uma investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do sublime e do belo. Campinas: Papirus, p. 155.

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