sábado, 5 de dezembro de 2015

Clóvis de Barros Filho e Mário Sérgio Cortella são filósofos? 2.0

Por André,

A breve postagem em que faço uma pequena reflexão sobre a "postura" filosófica das figuras de Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho rendeu. Rendeu como poucos posts rendem para este blog. Acho que é a única postagem com 12 comentários (e nenhum é meu). A publicação pode ser lida aqui.

Não fui muito preciso no que quis dizer exatamente no texto porque, primeiro, pensei que não haveria tanto alvoroço, depois porque se tratava de mais uma daquelas reflexões feitas na correria, entre mil e uma outras tarefas, mas que eu não quis perder o registro. Se soubesse que renderia tanto - inclusive chuvas de acusações de inveja - teria feito um comentário relativamente mais elaborado.

Gostaria de reforçar a mensagem da publicação e de cobrir as "objeções" feitas nos comentários (não culpo os autores, o texto dá margem para análises dúbias).

O que questionei na postagem é se as POSTURAS PÚBLICAS das personagens Cortella e Clóvis de Barros são filosóficas e não se, em seus respectivos currículos lattes possuem trabalhos de natureza filosófica (o que, creio eu, também não é garantia absoluta da condição de "filósofo" - pois isso, até eu tenho). Comunico a todos que, este tipo de crítica é igualmente enfrentada pelos divulgadores de CIÊNCIA, figuras carismáticas como Carl Sagan, Neil deGrasse Tyson, Marcelo Gleiser, Richard Dawkins e tantos outros constantemente são dissecados por cientistas strictu sensu acerca da cientificidade de suas posições públicas, o que atesta tanto que a pergunta é válida como uma certa universalidade do problema: sempre há alguma tensão entre a divulgação em massa de alguma coisa e seu caráter efetivamente fiel àquilo que é divulgado.

Clóvis de Barros (enquanto figura pública) é um novo fenômeno - da internet particularmente - desde sua aparição no Programa do Jô e uma entrevista que possui lá o seu valor. Eu mesmo vi alguns anônimos, gente sem qualquer ligação mais concreta com a Filosofia, citando a entrevista sensacional do incrível filósofo, ou seja, as pessoas estão convencidas que filosofia é aquilo.

Desde já diagnostico um problema que julgo bastante grave e que nota-se em maior grau em Clovis de Barros que em Cortella: uma clara "postura pública". É nítido que Clovis está atuando: postura e voz estão calibradas para aquele tipo de apresentação, ou seja, não estamos vendo o Clóvis autêntico, mas o Clóvis televisivo, de trejeitos e de voz empostada.

E a coisa não é lá muito diferente em suas aulas, pelo menos naquelas divulgadas no Youtube: um humor com um quê de mecânico, a mesmíssima voz empostada (embora o conteúdo das aulas não seja de todo ruim) - sendo que a recomendação do especialista em voz, Roberto Mallet é, justamente, que não façamos nenhum tipo de projeção artificial com nossas vozes.

Cortella, em suas tentativas, creio eu honestas, de divulgar a Filosofia, acaba por fazer as comparações mais estapafúrdias (Filosofia e Lady Gaga, Filosofia e Chaves) ou cria "conceitos" mirabolantes - como o "miojismo". Não afirmo que tais pontes sejam a priori impossíveis (há séries de livros um tanto curiosas que fazem pontes entre a Filosofia e filmes, séries e bandas pop), mas apenas que é demasiado temerário que as pessoas consumam apenas estas pílulas e saiam por aí acreditando que a Filosofia É esse tipo de coisa.

O que me leva a um fato inevitável que é a natureza mesma "elitista" da Filosofia. Conhecer Filosofia de fato vai para muito além de ler algumas comparações - justas ou estapafúrdias - entre os escritos de Platão e a letra de alguma música pop. Conhecer Filosofia efetivamente demanda leitura dos clássicos, disciplina, seriedade, conhecimento de alguns idiomas etc. Mesmo que a porta de entrada não seja os clássicos, os divulgadores da Filosofia deveriam, no meu entender, ser muito mais claros do que são e afirmar constantemente que estão fazendo, na melhor das hipóteses, DIVULGAÇÃO da filosofia, se servindo de assuntos que, no máximo, são filosóficos em seu verniz e de uma maneira pasteurizada para um público não-filosófico.

Do contrário, mantenho minha tese, os diplomados e doutorados Mario Sérgio Cortella e Clóvis de Barros Filho estão a praticar estelionato intelectual.

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Sobre o tópico da inveja, como eu disse na postagem original: se um dia eu for convidado para apresentações públicas graças à condição de "filósofo", toparei a tarefa e, na medida do possível, deixarei minha real condição clara para o público.

De resto, a acusação de inveja é pueril, digna de fãs clubes compostos de adolescentes histéricas em competição pelo "melhor ídolo".

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ADENDO DE 10/03/16

A tese desse texto e da primeira versão segue intocada: Cortella e Clóvis de Barros são embromadores e showmen profissionais no quesito APARIÇÕES PÚBLICAS. São bons oradores, excelentes retóricos que envernizam seu discurso meia boca com alguma profundidade filosófica. Nada muito diferente do que livros de auto-ajuda fazem com as ciências naturais, com a psicologia etc.

Um aspecto que não toquei, para nenhum dos dois, é a questão ideológica. Intelectuais, filósofos na acepção plena da palavra não podem, não são e não devem ser ideólogos. Podemos observar até mesmo uma certa dificuldade de catalogação neles: Eric Voegelin, Eric Weil, Simone Weil, Hannah Arendt e tantos outros. Nenhum deles, a despeito de alguma tendência específica que possa ser observada, foram defensores ferrenhos de ideologias ou partidos políticos.

Quanto a Clóvis de Barros serei mais restritivo, não tenho maiores informações sobre suas filiações políticas e não tenho muito interesse em descobrir. Apenas digo que já troquei emails com um de seus pupilos e que este é um esquerdista da pior espécime: defesa do PT, acusação de PSDB como partido de "extrema-direita" etc.

Já Cortella, figurinha carimbada entre professores, aulas de pedagogia e reuniões pedagógicas, citador de Paulo Freire etc, ao que "parece" guinou para a defensoria ideológica do partido mais criminoso da história do Brasil, fazendo coro a Emir Sader, Marilena Chaui, Vladimir Safatle, Renato Janine Ribeiro e outros não apenas defensores da ideologia esquerdista, mas da organização criminosa petista. Leiam a análise do site O Reacionário sobre a última participação de Cortella no Jornal da Cultura: http://oreacionario.com/2016/03/10/o-show-de-horrores-de-lacerda-e-cortella/.

6 comentários:

  1. Uma coisa que não ficou clara em nenhum dos dois posts e que acredito que elucidaria muito teu ponto de vista é o que exatamente É um filosofo. Eles são professores, nas entrevistas vazam um pouco do que realmente pensam mas, na sua maioria, eles simplificam pra tentar fazer entender. Agora.. Leitura dos clássico, disciplina, seriedade, idiomas.. isso não faz de ninguem filosofo. Os primeiros filósofos não tinham clássicos pra ler. Qual a condição de 'filósofo', então?

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    1. Reformulando e esclarecendo. Reli os dois posts e acho que cometi o mesmo erro que citou nessa postagem, de escrever na pressa. Vamos lá.

      Pelo que deixou claro nessa segunda tentativa, suas críticas são com relação às aparições públicas e estilo de ensino do Prof. Clóvis. Estelionato intelectual, nas suas palavras. Ora, nas entrevistas e aparições televisivas do Clóvis, ele fala pra uma maioria não-acadêmica e em grandes vezes, uma maioria não-interessada em filosofia. Simplificar, exemplificar, comparar, faz parte de divulgar algo para o público maior. E desde quando isso é crime intelectual? Querer simplificar algo? Ou pior, não poder ser considerado filosofia? Até onde eu sei, filosofia nasceu como e sempre foi uma busca por um modo viver e de morrer melhor. E pra isso, não precisa-se exatamente saber toda a história da filosofia, todos os termos acadêmicos, saber diversas línguas. Acho que se esqueceu de como a Sabedoria pode ser dita de formas simples e 'úteis' à qualquer um. Veja bem, se todo artista necessitasse saber toda a história da arte, todo música necessitasse saber toda a história da música. todo escritor necessitasse saber toda a história da literatura, como fundamento obrigatório pra produção de conteúdo válido como tais; arte, música, literatura. É de uma arrogância imensa categorizar 'filósofos' como somente acadêmicos, bilíngues e herméticos. Cuidado com as críticas de uma tentativa honesta de simplificar, ensinar e divulgar o interesse e fundamentos da filosofia e, cuidado ainda maior, com quando for definir quem ou não é digno do título de Filósofo.

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  2. Se eu fosse o André eu ia estudar. Um mestrado, um doutorado. Para não mais ter que fazer um segundo post dizendo "Não fui muito preciso no que quis dizer exatamente no texto".

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    1. Eu já tenho um mestrado. E se você está cobrando isso é porque não entendeu nem o primeiro texto, nem esse e, portanto, você que deveria estudar.

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  3. O primeiro texto é suficiente, mas não tira o valor deste segundo.

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  4. André, boa tarde. Gostei muito das suas colocações e acho pertinente a sua fala sobre profissionais citados serem dois "showmen", inclusive acredito que as pessoas que conhecem um pouco de filosofia não se deixariam levar a acreditar que filosofia é o que eles falam. Confesso que eu gostaria de me aprofundar sobre estudos filosóficos, e esses dois me instigam a pensar o mundo de maneiras diferentes e estudar o obras que antes eu não teria interesse. Portanto, pela minha própria experiência, acho isso tudo muito válido. Agora fiquei me questionando sobre sua postura política, uma vez que você aponta o PT como o pior partido de toda a história brasileira. Bom, o que queria entender é se você considera que só o PT é uma mau partido, afinal temos esquemas de corrupção atestados e comprovados em governos do PT, PSDB, PMDB, PP e afins. Ou seja: os partidos que têm alguma representação mais significativa nesses governos também estão implicados em esquemas de corrupção. Para você, o problema é o PT ou a corrupção? Quero deixar claro aqui que eu me identifico com o pensamento de esquerda sim, mas não sou conivente com as falcatruas de nenhum partido ou pessoa, tenha ela (ou pelo menos alegue) a orientação política que tiver. Obrigada, desde já, pela atenção.

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