segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Dennis Prager e a era do sentimentalismo, por Alexandre Borges


"Há quarenta anos eu pergunto a estudantes: se você estivesse vendo seu cachorro e um estranho se afogando numa praia, quem você salvaria primeiro? Um terço salvaria o próprio cão, um terço o estranho e o resto não consegue decidir.

Um neurologista de Stanford fez um experimento com 500 pessoas, perguntando a cada uma se um ônibus fora de controle estivesse quase atropelando seu cachorro ou um estranho, qual dos dois você salvaria? A grande maioria responde: “depende da pessoa”. Se fosse um amigo ou parente seria ele, mas um completo estranho seria atropelado enquanto o cão seria salvo para 40% dos participantes.

Outro eminente sociólogo fez um estudo, publicado no NYT, para avaliar o entendimento da moralidade e da ética pelos jovens americanos de 18 a 23 anos. O autor do estudo ficou desapontado com os resultados. Dois terços dos jovens se mostraram totalmente incapazes de sequer entender como aplicar moral e ética numa determinada questão ou problema, mesmo dirigir bêbado, trair outra pessoa ou fraudar um exame na universidade. Quase todos diziam, basicamente, que moral é apenas uma questão de opção individual e “o que é certo para você pode não ser certo para mim e vice-versa” e que “moral é o que seu coração diz que é certo".
Precisamos voltar a ensinar algo que foi tirado das escolas desde os anos 60, que é entender o valor da vida humana e do papel da moral e da razão nas nossas escolhas.

Há um conflito claro entre valores morais, a razão e o sentimentalismo em várias situações na vida. Eu amo meus cachorros, mas há um imperativo moral superior que manda salvar o estranho antes.

Em 2011, uma família estava numa praia da Califórnia quando seu cachorro foi levado pela correnteza. O rapaz de 16 anos, a despeito das ondas de mais de três metros, se jogou no mar para tentar salvar o animal e sumiu. Seus pais ficaram desesperados e foram ao mar tentar resgatar o filho e também morreram afogados. Dessa família agora só sobrou uma menina. O cachorro voltou nadando para a praia.

O que levou o rapaz a se afogar? Ele agiu baseado em sentimentos, não na razão. Hoje infelizmente estamos falhando em ensinar aos nossos filhos o papel dos sentimentos na determinação das nossas escolhas e ações na vida.

Há alguns anos, entrevistei uma estudante sueca no meu programa de rádio e perguntei se ela tinha uma religião, ela disse que não, então quis saber como ela decidia o que era certo ou errado e ela respondeu: "ouço meu coração”.

Sou judeu e desprezo nazistas, mas os nazistas também desprezam judeus. Se você tem uma sociedade baseada em sentimentos, e todos os sentimentos são válidos, como posso afirmar que meus sentimentos de repulsa são superiores aos do nazista em relação a mim?

Uma vez, quando tinha 7 anos, estava numa aula de judaísmo na escola e o rabino chamou a classe para fazer as orações. Eu levantei, fui até o rabino e disse que não estava no clima de rezar. O rabino me olhou, coçou a barba, depois virou para a turma e disse: “Dennis não está no clima de rezar. E daí?” Foi uma das grandes lições morais que eu recebi na vida, ali entendi que minhas emoções não valem mais do que fazer o que é moral e certo.

Se alguém naquela família da Califórnia tivesse explicado ao rapaz que, mesmo amando seu cão, ele não deveria colocar a vida em risco para salvá-lo, a família inteira estaria viva hoje. Por mais triste que seja perder o cão e depois ter que comprar outro, a menina que ficou com o cão não terá como repor o pai, a mãe e o irmão.

Estamos vivendo a Era do Sentimentalismo.

Pessoas e nações estão sendo guiadas apenas pelo sentimentalismo e não pela moral ou pela razão. O coração está vencendo o cérebro.

Houve um tempo em que os pais ensinavam aos filhos objetivamente o que é certo e o que é errado. Agora as crianças são educadas apenas para obedecer seus sentimentos e decidir baseadas no que sentem em cada situação. E quando o assunto é sentimento, não há resposta certa ou errada, vale tudo.

Houve um tempo em que nossos filhos eram ensinados a tomar decisões morais, hoje basta fazer o que está no clima, o que tem vontade, é "ouvir o coração". Mandar alguém pensar moralmente antes de qualquer decisão é uma posição antiquada na Era do Sentimentalismo.

Sentir é humano, mas o sentimento não é sempre o melhor guia para a tomada de decisão. Se não há uma moral superior, como diferenciar o certo do errado e como optar pelo certo? Sem um código moral, não há porque para fazer o bem, você vai acabar fazendo apenas o que está no clima de fazer."

Dennis Prager

PS - Esse texto é um resumo livre de alguns artigos e palestras do Dennis sobre o tema.

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