quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Pequena interação com Guga Chacra, ou: a longa marcha do processinho

Por André,

Ontem tive o prazer de algumas interações com o comentarista de política internacional da inefável Globo News, Guga Chacra. No canal ele ocupa a cadeira que antes pertencia ao ilustre Emir Sader, intelectual orgânico do PT:

Emir, catedrático da flor do Lácio, torcedor da canarinho, provável membro da esquerda multicultural.

Emirzão, combatente firme contra a direita (islamofóbica?), de esquerda (coisa que o Guguinha não é).

Quero aqui apenas registrar o ocorrido, de forma que exponho um dos expedientes mais comuns da esquerda hipster (progressista, PSOL, Vila Madalena, barzinho, mestrado em antropologia indígena, Jean Wyllys etc) quando é obrigada a lidar com a discordância intelectual. Não há exatamente nada de novo para ser dito: o mínimo que você precisa saber sobre Guga Chacra foi publicado no blog do Felipe Moura Brasil, na Veja, por ocasião da carteirada "chupa-cabra"-tenho-mestrado-na-Columbia-você-não-tem. Guguinha é auto-proclamado membro da "direita multicultural": aquela que, segundo ele, não é "jeca", "islamofóbica", "racista" e outros gatilhos psicológicos utilizados - PASMEM! - pela esquerda (a qual Guga garante não pertencer!) para encerrar qualquer debate racional que envolva política externa, racismo e muçulmanos. Guga se orgulha de ser "multicultural" e, provavelmente (provavelmente, viu Guga? Não estou pondo nada na sua boca, não sou desses!) de ser "politicamente correto", deve (DEVE) ser daqueles que canta "Imagine" do John Lennon pra combater o jihadismo e, portanto, não percebe o engodo intelectual que é o tal "multiculturalismo" - ou talvez ele compre a balela que diz que ser multicultural é ver filmes indianos, comer num restaurante italiano e sair pra conversar com a amiga chinesa. O multiculturalismo é, na verdade, a perniciosa ideia que TODAS AS CULTURAS SÃO COGNITIVA E MORALMENTE EQUIVALENTES, um filho legítimo e pródigo do relativismo que infesta as mentes e as universidades desde os primórdios do século XX. 



De forma que Chacra se converteu numa espécie de garoto propaganda de tais ideias: alarmismo com aquecimento global antropogênico, multiculturalismo, politicamente correto e toda sorte de causas "progressistas". Não apenas isso, mas o garantidamente não-esquerdista analista isento e imparcial Guga Chacra adere a todos os gatilhos "encerra-debate" da extrema-esquerda jeca: tudo é racismo, tudo é islamofobia, tudo é impróprio, tudo é "trigger warning", tudo é "safe space" etc. etc. e todas aquelas bobagens socialmente justiceiras que qualquer frequentador de qualquer universidade (seja a sede da esquerda americana, décima melhor do mundo, chacriana, Columbia ou até uma uniesquina da vida) conhece bem (até mesmo o artifício do "vou lhe processar").




Sobre essa condição que afeta nosso colega vale citar três parágrafos do texto extraído do blog do Felipe, em link já citado:

Os expedientes de esquerda  
Ignoro se Guga Chacra já chegou “esquerdizado” ao seu mestrado, mas que saiu de lá repetindo alguns dos expedientes mais canalhas consagrados pela esquerda, não resta a menor dúvida, a começar pela própria carteirada chupa-cabra. Como escreveu Evan Sayet, denunciando também a ideologia em Columbia: “Esquerdistas gostam de se gabar de seu intelecto superior, muitas vezes apontando para o número de anos que passaram a vagar nos campus bucólicos de grandes universidades. Mas ficar mais tempo no sistema de ensino só faz uma pessoa ficar mais inteligente se o que está sendo ensinado é verdadeiro. Se o que está sendo ensinado são mentiras, então quanto mais tempo nos cursos, mais estúpida ela se torna, o que é, de fato, exatamente o que nós vemos. É por isso que Dennis Prager (parafraseando George Orwell, creio eu) termina uma conversa com um interlocutor particularmente estúpido, dizendo: ‘Senhor, isto é de uma burrice tão grande que você só pode ter frequentado uma faculdade.'”  
O grande frequentador Guga Chacra pode até se julgar representante da tal “direita multicultural-liberal”, mas chamar também de homofóbico quem discorda dele sobre homossexualidade ou casamento gay, como faz com o republicano Rick Santorum e toda a ala conservadora do Tea Party, é coisa de esquerdista radical do naipe de Jean Wyllys. Sem citar e analisar uma só frase de Santorum, Chacra chega ao cúmulo de escrever no título de um texto que ele “é tão homofóbico quanto Ahmadinejad”(!), igualando-o ao ditador do país onde os gays são enforcados em praça pública. Para piorar, ainda o chama de islamofóbico, dando como prova disso, só no Facebook, a opinião do então pré-candidato a favor do perfilamento étnico de muçulmanos como uma das possíveis medidas de segurança nos aeroportos contra ataque terroristas, porque eles seriam os mais propensos a cometer esse tipo de crime, como o 11 de setembro fez acreditar. 
Santorum pode estar errado o quanto seja, estatística, estratégica ou religiosamente, e caberia a Chacra argumentar (o que inclui destrinchar analiticamente o seu comentário), mas xingá-lo como um sujeito que não distingue muçulmanos bonzinhos e malvados e odeia todos de antemão, e como se o perfilamento fosse o próprio paredón, é repetir e estimular o expediente teatral da patrulha histérica que impossibilita qualquer debate. 
Nessa mesma linha de histeria, Chacra divide a direita entre a “multicultural-liberal” dele (uma dissimulada “left-lib” politicamente correta) e uma outra “jeca, provinciana, islamofóbica (anti-muçulmana), antissemita, ultrapassada, homofóbica”. Para chamar alguém só de impostor, eu – que não tenho uma direita chacriana para chamar de minha – costumo demonstrar, com aspas, fontes e análises, as imposturas do sujeito, como sabem os leitores deste blog (quiçá deste texto). Mas se você é contra a legalização das drogas e de imigrantes sem documentos, cuidado: o “rapaz” Chacra pode xingar você de todos aqueles nomes.

A questão até aqui é essa, certo? Isso é um artifício DE ESQUERDA, utilizado por Guga Chacra e não há critério de separação entre "direita multicultural" e "direita jeca", só mesmo que quem tiver topado o curso de nova ciência política isenta e imparcial da Universidade de Moscou, ministrado em 1918.

Pois bem, nosso amigo atacou ontem novamente e não pude evitar duas interações EM SEU PERFIL no Twitter:

Não posso dizer melhor do que lá já disse

Percebam que aqui o curto-circuito já havia se iniciado. Quem falou em Brasil? Que importa onde eu moro? O que essa vírgula quer dizer - ele quer saber onde eu moro ou o que vem depois da vírgula faz parte da interrogação? O ministério da cognição adverte: muita Columbia e muito New York Times causam confusão mental constante.

Logo após isso escrevi um tweet irônico com os constantes posicionamentos de Guga, que vê islamofobia debaixo da cama dia sim e dia também. Não mencionei o Guga no tweet porque não pretendia o desprazer de interagir com ele, mas com as minhas duas réplicas acima, ele próprio se dirigiu ao meu perfil, coisa que ele próprio já havia feito (ele já havia dado uma pré-carteirada™ judicial, ao visitar meu perfil e ler uma piada ~islamfóbica~ para os seus padrões e insinuar que, por estar no Brasil, eu poderia ser acionado judicialmente e isso, por sua vez, dito em seu perfil ou página pessoal) e que, portanto, deve fazer parte do seu repertório de ações.





Percebam: se trata de uma ironia. Eu usei "DEVE". E esse meu "deve" é uma dedução completamente razoável, legítima e verossímil dos constantes posicionamentos de Guga. O rapaz ainda me chama de covarde, pois, segundo ele, não disse nada "na sua frente". Pois bem, Guga está nos EUA, eu estou em São Matheus, como a tecnologia de teletransporte ainda está em desenvolvimento, se trata de uma impossibilidade física de 12 horas que eu diga qualquer coisa "na frente" dele. Caso isso tenha sido um convite, estou aberto a dizer na sua frente, sem aspas. Embora não tenha sido na "sua frente", eu disse no meu perfil público, o que mais ele queria? Um pedido formal? Um telegrama avisando? Pombo correio? Correio elegante? Mais público e mais "na frente" que isso, dadas as circunstâncias, impossível. 


Aqui nosso nobre combatente ministra algumas palavras sobre meia covardia e sobre "colocar palavras na boca dele". Deve ser. DEVE SER.

Logo depois chegamos à parte interessante. A ameaça de processo (pra quem está a reclamar da covardia alheia, atitude das mais corajosas):



Depois de toda a epopeia (o desenrolar e o apoio dos amigos pode ser visto aqui) Guga ainda não havia me bloqueado, apenas após trocar afagos com um assecla puxa-saco que estava lhe entregando prints da minha postagem no Facebook, então ele me bloqueou (very tough guy, very tough guy, para parafrasear Donald Trump sobre Jeb Bush):


Após isso tudo só me resta: menos jornalismo hipster, menos pose, menos carteirada acadêmica (♫ eu também tenho mestrado, eu também tenho mestrado, lalalalalá, ♫ - e o meu está no site da USP a disposição do público, diferentemente da escrita pelo rapaz) e  last but not least, menos carteirada judicial.

E claro, mais um último ponto, ESSENCIALÍSSIMO:

Um comentário:

1. Seja polido;

2. Preze pela ortografia e gramática da sua língua-mãe.