domingo, 3 de janeiro de 2016

Primeira leitura de 2016: "Churchill" de Paul Johnson

Por André,


Todos os anos prometo, conforme alguns amigos fazem, contar quantos livros li ao longo do ano. Nas últimas duas tentativas - frustradas - parei a contagem no primeiro. Nada contra quem o faz, gente inteligente e de boa vontade e, certamente, com melhor autocontrole que eu, consegue chegar a um resultado. Eu, particularmente, não consigo e não sei como computaria tantos livros que leio apenas capítulos específicos que me interessam e tantos outros que apenas faço minhas consultas. O fato é que não poderia haver melhor leitura para ser posta como primeiro membro da soma: "Churchill" de Paul Johnson.

Tudo que dizem sobre Johnson é verdadeiro: ao ler seu texto me senti lendo um agradável romance. Tudo que dizem sobre Churchill creio que ainda seja pouco:

- Churchill fumava e bebia (e morreu com pulmões e fígado intactos);

- Superou adversidades, que não foram poucas ou pequenas (sendo Gallipoli, talvez, o melhor exemplo, além de diversos altos e baixos na Casa dos Comuns);

- Segundo Johnson, Churchill "odiava o comunismo com cada fibra do seu corpo" [ao contrário de Franklin Roosevelt] {p. 123};

- concentrou não apenas a condição de estadista brilhante, mas era um orador sem igual e um jornalista e historiador de verve inconfundível (a despeito do desempenho acadêmico ruim);

- tentou, infelizmente de maneira frustrada, uma incursão na Rússia em 1917, por ocasião do golpe dos bolcheviques contra a família real russa. Se tivesse obtido sucesso, aventa Johnson, poderia ter evitado as vinte milhões de mortes perpetradas pelos comunistas, além de, muito provavelmente, ter impedido a própria ascensão de Hitler e Mussolini ao poder (p. 56);

- incentivou a industria aérea de maneira que se mostraria essencial para a salvação da Inglaterra em 1940;

- Sem Churchill, Israel provavelmente não existiria (p. 60). Foi sionista por toda a vida;

- embora soubesse do fracasso de Chamberlain, jamais deixou de reconhecer sua importância e sua condição de amigo. A magnamidade era uma de suas características mais marcantes;

- Foi atacado por Keynes por restabelecer o padrão-ouro;

- Temia a chegada no comunismo na Inglaterra e sabia que isso representaria o fim da civilização. "De todas as tiranias da historia, a bolchevique é a pior" (p. 74 e 75);

- Quando Hitler chegou ao poder já havia lido o Mein Kampf e sabia do perigo real que o führer representava, enquanto muitos ainda o tratavam como um lunático cuja passagem pelo poder seria evanescente;

- Muitos pacifistas o atacavam por seu suposto espirito "beligerante" e até mesmo saudaram Hitler pelo que fazia, visto que o Tratado de Versalhes era demasiado "injusto";

- Quando soube dos planos de Hitler de invadir a Rússia avisou Stalin, porém, o ditador comunista considerou o aviso como (sic) "manobra capitalista" para envolver a URSS na guerra (p. 124);

- seus ataques aéreos impiedosos contra a Alemanha dizimaram a frota de ar germânica, o que, sem qualquer duvida, garantiu a possibilidade de vitoria por terra da URSS (p. 126);

- A Inglaterra investia em armamento nuclear e, se disponível à época, Churchill o teria usado contra a Alemanha de Hitler;

- Popularizou expressões como "cortina de ferro" e "guerra fria".

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