segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

"Quando a tampa da esquerda não fecha", episódio 2: Richard Dawkins e a equivalência entre islamistas e feministas

Por André,

Há algum tempo escrevi a postagem "quando a tampa da esquerda não fecha", onde trato de uma espécie de "ranqueamento" de causas na agenda da esquerda; o que é e o que não é prioridade na agenda da militância esquerdista radical? Por exemplo, o ateísmo não ocupa um lugar muito alto nesse ranking, os militantes esquerdistas estão, no momento, muito mais propensos a relativizar as mazelas do islamismo radical (que, evidentemente, é fundamentalista e teocrático) em nome do "multiculturalismo" do que defender alguma forma de ateísmo. O mesmo para direitos homossexuais. O fato desses serem muito mais respeitados em Israel do que em qualquer outro país do Oriente Médio rapidamente é descartado como "pinkwashing", pois fazer a cama para o islamismo radical está, no momento, num dos pontos mais altos do ranking das causas esquerdistas.

Muitos dos assim chamados "neoateus" vêm sentindo na pele esse problema (embora não veja nenhum deles diagnosticando com precisão o problema - muitos têm falado de "esquerda regressiva" - por oposição a esquerda progressista, de traição dos "liberals" - quando o problema simplesmente é que há uma ordem de fatores na agenda dessa esquerda e, sendo a destruição do Ocidente tal como conhecemos o topo da lista, a relativização do islamismo radical é um dos meios mais poderosos para se fazer isso): Sam Harris, Bill Maher, Richard Dawkins.

O caso mais recente foi com Richard Dawkins. O amigo Marcelo de Mattos Salgado fez um apanhado do ocorrido no facebook:

Richard Dawkins, o biólogo ateu que escreveu livros sensacionais como "O gene egoísta" e homem que originou a expressão "meme", tão querida por aqui, sofreu um derrame poucos dias atrás.  
Dawkins fora expulso recentemente de uma conferência de ciências porque publicou um vídeo cômico no Twitter (!!!) sobre as semelhanças entre muçulmanos e feministas — algo sobre ambos serem, às vezes, intolerantes a críticas e viverem reclamando e se fazendo de vítimas. Que ironia. Tal é o estado da liberdade de expressão em nosso mundo... 
A expulsão se deveu à pressão de feministas e grupos de esquerda e islâmicos. Dawkins, segundo ele mesmo um homem "de esquerda" e "feminista" — mas que, como cientista, entende que devemos criticar também (especialmente!) aquilo com que simpatizamos — está desolado com a forma como os seus pares "progressistas" jogaram-no à fogueira rapidamente. O cientista é crítico do pós-modernismo e de excessos relativistas das ciências humanas (bem como Noam Chomsky — um socialista, aliás). 
Nossas prioridades estão todas distorcidas. Matamos e calamos heróis e almas corajosas e damos voz e destaque para mentiras e idiotices.  
Todos os vídeos em inglês. 
Dawkins critica o relativismo pós-moderno e o feminismo: 
https://www.youtube.com/watch?v=eKPWW5uu200 

Chomsky critica o pós-estruturalismo, o pós-modernismo e Foucault:
https://www.youtube.com/watch?v=OzrHwDOlTt8https://www.youtube.com/watch?v=OjQA0e0UYzIhttps://www.youtube.com/watch?v=pt2fdivw4cs 

Sobre Dawkins: quem quiser saber o que aconteceu.
https://www.youtube.com/watch?v=1428tqVc7BUhttps://www.youtube.com/watch?v=RlXdNOXU3_M 

Aliás, outros vídeos pra quem quiser acordar um pouco. Sustos garantidos, busca sincera pela verdade, idem. 
https://www.youtube.com/watch?v=LjN8xP0i6Akhttps://www.youtube.com/watch?v=AasuUt1d_fE

O vídeo que rendeu a polêmica é uma pérola, justamente porque expõe o padrão moral duplo dessa esquerda militante e ironiza a incrível semelhança de comportamento entre feministas radicais e islamistas militantes:


Muita gente, identificada com a própria esquerda já notou que a "tampa não fecha", porém estão falhando miseravelmente na correção do diagnóstico como um todo. Mas devemos confessar que a não-adesão ao relativismo moral de ateus como Harris, Maher e Dawkins é digno de nota como algo positivo.

2 comentários:

  1. Muito bom! Dawkins está sempre visitando o programa do Maher. É uma lástima que pouco do Bill seja divulgado com legenda para um público maior de brasileiros. A HBO costumava exibir seu programa e não estou a par se o Youtube possui seu documentário legendado. A grande maioria dos brasileiros não compreenderia os trechos disponíveis em inglês.
    Pode-se criticar o termo regressiva, mas a verdade é que se trata de esquerda autoritária e totalitária. Os ateus e agnósticos foram jogados na fogueira associados com criminosos e serial-killers pela massa e até por personalidades televisivas quando usam o cliché "sem Deus no coração", assim como o relativismo também atirou os gays e as mulheres oprimidas pelo Islã na fogueira. É óbvio que isso só faz erodir o Ocidente. Como Maher diz: "deveríamos ter orgulho e defender valores ocidentais", mas o outro extremo também grassa com retórica fascista dos anos 30 nos EUA, e aqueles no Brasil que poderiam divulgar o liberalismo econômico ou alguns conceitos libertários em relação às liberdades individuais, divulgam homofobia e ódio como Olavo de Carvalho ou são ignorantes gananciosos, aproveitadores, oportunistas como Nando Moura que fala contra o aborto, sendo que é legalizado em todos países desenvolvidos e muito além do fator do encarceramento, previne a criminalidade, uma vez que, nos EUA a criminalidade caiu 16 anos após a legalização em âmbito federal do aborto pela Suprema Corte nos anos 70, pois está é a idade em que indesejados sem estrutura de criação delinqueriam, e nos estados americanos onde o aborto havia sido legalizado antes, a criminalidade caiu antes. Um economista brasileiro usou o Freakonomics em tese universitária alegando que a legalização do aborto no Brasil diminuiria a criminalidade. Ninguém quer enxergar a realidade, desta forma a criminalidade nunca caíra, só se concentram em espalhar homofobia, sendo que cidadãos gays pagam impostos e contribuem com a sociedade com suas profissões e voluntariado, e como tal, devem ter seus direitos garantidos. Ninguém além de Maher, defendendo os valores ocidentais de que mulheres não são cidadãs de segunda classe que devem ter seus clitóris removidos, serem proibidas de estudar, dirigir ou viajar sem a autorização do pai ou marido e de que é condenável que garotos adolescentes de 13 e 14 anos sejam enforcados no Irã porque se descobriram gays ou bi e começaram somente a namorar. Além do sequestro de mulheres e atiramento de gays do telhados de prédios pelo ISIS no Oriente Médio.
    A Dilma que usava o pseudo-feminismo forçando a forma presidenta, em detrimento de presidente não fez nada pelos direitos das mulheres. Assim como tentou cooptar negros, pardos, LGBT e mulheres com populismo esquerdista. Coisa que a América Latina parece querer tentar se livrar, como narra a bela cientista política guatemalteca Glória Alvarez que se diz libertária. O vídeo com animação sobre as semelhanças entre radicais islâmicos e a nova onda de feministas radicais anti-homem e anti-sexualidade que Dawkins repassou é muito engraçado. Eu já havia visto e me lembra das visões de Camille Paglia e Christina Hoff-Sommers, feministas old school que se dizem pro-sexo, pro-moda, pro-glamour, pro-universo masculino, pro-pornografia e no caso de Sommers defensora dos gamers, jogadores de vídeo games atacados pelas feministas. Camille Paglia chama seu feminismo de street smart feminism ou drag queen feminism, onde a mulher deveria ser forte e circunspecta e saber lidar com o fato de que há sociopatas no mundo e se defender, olhar ao redor, seria o feminismo com malandragem ou esperteza de rua. A mulher ocidental não deveria querer se tornar fraca mas focar nas mulheres e gays oprimidos nas teocracias islâmicas, além de sequestros na Índia etc. Camille Paglia também fala que muitos estudos sociais feministas negam evidências científicas biológicas sobre genética e questões hormonais.

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  2. Feministas no Ocidente discutem besteiras non-sense como manspreading no metrô ou mansplaining, e Social Justice Warriors falam em Whitesplaining, ou que só brancos podem ser classificados como racistas e o absurdo de cultural appropriation atacando alunos brancos com dreads em universidades como há vídeos, enquanto atiram mulheres, gays em teocracias islâmicas e ateus sob o ônibus. Um jovem em Bangladesh foi linchado recentemente por ser abertamente ateu nas redes sociais. Uma apresentadora da MTV americana de um show chamado Decoded divulga a apropriação cultural, o mais engraçado é que ela é negra e seu nome é Franchesca com CH para imitar a pronúncia italiana no inglês. Feministas no Brasil se apoderaram da retórica americana de rape culture e Dilma muito oportunistamente pós-impeachment abusou disso também quando a garota carioca de pai pastor evangélico mentiu sobre ter sido estuprado por grupo. O que acabou como sendo divulgado como realidade internacionalmente, especialmente por jornais e meios que usam o leftist populism em função de seus interesses escondidos distorcendo a realidade, como o Guardian no Reino Unido, The NY Times e The Young Turks, todos que acusaram Michel Temer de golpista do capital americano e grandes corporações, juntamente com a cena patética e antipatriótica de Sônia Braga e o diretor pernambucano em Cannes, ou Wagner Moura no exterior, Letícia Sabatella com o Papa, que defendem governo corrupto e inflação que corrói a renda dos seus compatriotas cidadãos trabalhores e classe média. Se Moura se sente tão culpado por ter dinheiro que abra uma instituição, escolha uma causa com a qual se identifique e ajude uma ONG legítima ao invés de apoiar governo corrupto, o que seria muito mais eficaz. Mas é patente que parte da classe artística só está de olho no BNDS, leis de fomento estaduais e federais como a Rouanet e negar que vem do governo é absurdo, pois se trata de isenção de impostos.

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1. Seja polido;

2. Preze pela ortografia e gramática da sua língua-mãe.