domingo, 29 de maio de 2016

O caso do estupro coletivo: vivemos num completo quadro de histeria coletiva e guerra de narrativas

Por André,

Estupro é o crime mais repudiado pela sociedade. A ponto de nem mesmo a ética do banditismo tolerá-lo. Contudo, os militantes precisam reforçar suas narrativas ideológicas (há uma "cultura do estupro", o Brasil é um país racista e sexista etc) e sem qualquer ponto a ser investigado se aproveitaram de uma tragédia para politizar o debate militando contra a "cultura do estupro". Como praticamente todas essas campanhas, se trata de mais um produto importado da América, criado pela esquerda universitária. Por aquelas bandas a narrativa é tão mitológica que, se levada a sério, provaria que nas universidades americanas acontecem tantos estupros quanto no Congo!

O brilhante Milo Yiannopoulos comenta o gatilho:




Contudo, mais uma vez, a suspeita começou a pairar sobre o caso, como usualmente acontece em casos politizados pela militância. Se nos EUA há uma oposição forte a essas ideologias militantes, no Brasil não observamos o mesmo.

Áudios e o depoimento de um ex-namorado da garota fazem crer que não houve crime de estupro (a divulgação do vídeo é criminosa e quanto a isso não resta dúvidas). E a coisa não termina aí. A advogada da garota foi presa por ativismo político virulento (e ainda). Um claro movimento no sentido de ideologizar o caso.


Conforme disse o amigo Flavio Morgenstern, um país que politiza um estupro politiza qualquer coisa. É a doença espiritual que Eric Voegelin chamou de "fé metástatica", a politização total, completa e imediata da vida, indiscernível de toda militância deturpada, como mostrou Olavo de Carvalho em artigo de 2003 (!):

Ser um militante é estar inserido numa organização política, submetido a uma linha de comando e envolvido por uma atmosfera de camaradagem e cumplicidade com os membros da mesma organização. Ser um simpatizante ou um “companheiro de viagem” é estar mergulhado nessa atmosfera, obedecendo à mesma linha de comando não por um comprometimento formal como os militantes mas por hábito, por expectativa de vantagens ou conivência emocional. 
Sem uma rede de militantes, simpatizantes e companheiros de viagem, não existe ação política. Com ela, a ação política, se não limitada por fatores externos consolidados historicamente – a religião e a cultura em primeiro lugar -- pode estender-se a todos os domínios da vida social, mesmo os mais distantes da “política” em sentido estrito, como por exemplo a pré-escola, os consultórios de aconselhamento psicológico e sexual, as artes e espetáculos, os cultos religiosos, as campanhas de caridade, até a convivência familiar. A diferença entre os partidos constitucionais normais e os partidos revolucionários é que aqueles limitam sua esfera de ação à área permitida pela cultura e pela religião, ao passo que os partidos revolucionários destroem a cultura e a religião para remoldá-las à imagem e semelhança de seus ideais políticos. 
Abolindo os freios tradicionais – o que é facílimo num país de cultura superficial como o Brasil --, a organização da militância revolucionária transforma todos os ramos da atividade social, todas as conversações, todos os contatos humanos, mesmo os mais aparentemente apolíticos e ingênuos, em instrumentos não-declarados de expansão do poder do partido. Sei que essa concepção é monstruosa, mas ela não é minha. É de Antonio Gramsci. Uma vez que ela seja posta em execução numa dada sociedade e aí alcance razoável sucesso, toda a existência humana nessa sociedade será afetada de hipocrisia e duplicidade, pois aí praticamente não haverá ato ou palavra, por mais inocente ou espontâneo, que não sirva, consciente ou inconscientemente, a uma dupla finalidade: aquela que seu agente individual tem em vista no seu horizonte de consciência pessoal, e aquela a que serve, volens nolens, no conjunto da estratégia de transformação política que canaliza invisivelmente os efeitos de suas ações para a confluência num resultado geral que ele seria incapaz de calcular e até de conceber. 
Uma vez desencadeado esse processo, a completa degradação moral e intelectual da sociedade segue-se como um efeito inevitável, mas isso é vantajoso para o partido, pois acelera o processo de mudança revolucionária e pode ser utilizado ainda como material de propaganda contra a “sociedade degradada” por aqueles mesmos que a deterioraram, os quais assim obtêm de suas más ações o lucro indiscutível de ocupar sempre a tribuna dos acusadores enquanto as vítimas ficam no banco dos réus. 
Mas os agentes condutores não saem ilesos do processo que desencadearam. No curso das transformações revolucionárias, terão de se esmerar na arte do discurso duplo, justificando seus atos perante o público geral segundo os valores correntemente admitidos, e segundo as metas partidárias para o círculo dos militantes que as conhecem e as compartilham. À medida que estas metas vão sendo alcançadas, é preciso reajustar as duas faixas do discurso ao novo padrão de equilíbrio instável resultante do arranjo momentâneo entre o “antigo” e o “novo”, isto é, entre o que o público em geral imagina que está acontecendo e o mapa de um trajeto só conhecido pela elite dirigente partidária. Esses reajustes não são só artifícios retóricos para ludibriar o povo. São revisões do caminho para reorientar os próprios dirigentes e implementar as adaptações táticas necessárias a cada momento. 
Quem nunca militou num partido revolucionário mal pode imaginar a freqüência e a intensidade dessas revisões, nem as prodigiosas dificuldades que elas comportam. E só quem tem alguma idéia disso pode compreender as contradições de um governo de transição revolucionária, distinguindo as aparentes das reais. Praticamente a totalidade dos comentários políticos que circulam sobre o governo Lula refletem apenas a inabilidade de fazer essa distinção.

ADENDO de 01/06/16:

Observem a matéria do Jornal Extra sobre estupro e verifiquem a trincheira de uma guerra de narrativas. 


PERCEBAM, meu caros, para alguns houve estupro PORQUE HOUVE estupro e fim. Não há disposição para investigar as evidências.

O caso não é relativizar o crime: divulgar vídeo íntimo é crime; a orgia desandou e os caras violaram a garota inconsciente? Foi estupro, ok. Mas se a ocasião era uma orgia consensual e comum na "cultura da favela, do funk e das drogas" há um grande problema aí:

Caso essa seja a versão factual das coisas, isso relativiza a ideia de "cultura do estupro", relativiza a narrativa que afirma que o Brasil é um país machista e tolerante com o estupro, por isso foi estupro e acabou, não importa que as evidências no mínimo turvem o caso, não importa o laudo médico que diz que não houve, HOUVE e acabou.

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