sexta-feira, 13 de maio de 2016

O ranço marxista na "crítica à família" contra o voto do Congresso Nacional

Por André,

O amigo e professor Marcelo de Mattos Salgado escreveu um texto sucinto e didático fazendo um apanhado geral da tradicional ojeriza marxista ao conceito de família:


Deputados, “família burguesa” e democracia

Agora que Dilma foi afastada pelo Senado, darei atenção a algo ocorrido na Câmara dos Deputados. Percebi muitos jovens e “intelectuais” de esquerda reclamando que os deputados dedicaram, em boa parte, seus votos a favor do impeachment de Dilma “ao pai”, “à mãe”, “aos filhos” e “a Deus”. Aqui, analiso o principal porquê do desprezo aos votos — e, especialmente, a seus motivos.

Claro que o pessoal “progressista”, ou seja, esquerdistas em geral (socialistas, comunistas, marxistas, feministas típicas e afins) vai arrumar qualquer coisa para jogar em cima de quem é contra eles. Não, não é o comportamento típico de qualquer um que seja confrontado. Mas o esquerdista médio é assim: mestre na retórica e vítima por definição — a ponto de eu me permitir uma faísca de admiração por sua excelência sofística. Uma faísca bem pequena.

Pois bem: a principal razão dos “progressistas” (mesmo o atual disfarce para “esquerdista” é de uma esperteza verbal tremenda) implicarem com os motivos por trás dos votos dos deputados tem longa história. Vem desde o segundo capítulo do Manifesto Comunista de Marx e Engels, de 1848, em que pregavam a abolição da “família burguesa” — e o fim do direito à herança, algo que ajudaria a derrubar aquela. Caso não saiba, a “família burguesa” é formada por pai, mãe e filhos; e imagina-se — absurdo! — que moram todos juntos. Na mesma casa. O horror!

De fato, em média, a “família burguesa” é a melhor unidade que os humanos já encontraram para criar seres ajustados e capazes de agir historicamente, pois não ficam como mosquinhas soltas pelo mundo. Filhos criados por mães solteiras, por exemplo, têm em média QI mais baixo; mais chances de ir para a cadeia; de ter problemas com drogas e bebidas; e de cometer suicídio, só para listar algumas coisas. Pesquise. Não brigue com o mensageiro. Avalie a mensagem. É fato. Tentar socar o vento ou a chuva é coisa de criança. Cresça.

Por isso mesmo, os dirigentes comunistas e nacional-socialistas mantinham — veja só! — suas famílias bem assim: “burguesas” e “patriarcais”. Ou seja, ordenadas classicamente para não jogarem os recursos, conquistas e nomes de gerações anteriores no lixo. O próprio Engels elevou a crítica em “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”. E vários outros autores marxistas, marxianos, frankfurtianos e pós-modernistas simpáticos ao socialismo e ao comunismo continuaram a batalha teórica contra a família. Os franceses Deleuze e Guattari — este, membro de grupos e partidos comunistas ao longo da vida (pesquise a vida dos autores que ler!) — escreveram “O anti-édipo: capitalismo e esquizofrenia”, por exemplo. Além de atacar um dos alvos mais clássicos do marxismo — claro, o capitalismo opressor, fascista e malvadão — os autores não poupam tiros contra a “família burguesa”.

Antonio Gramsci, o italiano marxista que fundou o partido comunista daquele país, nunca aliviou contra a “família burguesa”, pois percebeu que a queda do capitalismo só aconteceria a partir da guerra cultural, por meio da ocupação de espaços (academia, mídia, templos e igrejas etc.) pelas ideias de esquerda e eventual hegemonia cultural — ao contrário do que Marx escrevera, pois este previra o caminho oposto, desde a economia. Com a destruição dos pilares da cultura ocidental — o principal, a “família burguesa” — , o sistema econômico, o capitalismo, cairia em questão de tempo. Perverso e brilhante, cá entre nós. Acima de tudo, perverso. Perceba que o objetivo dos marxistas não é procurar e promover a verdade que levaria às melhores condições de vida: eles já creem ter a verdade! Em sua dogmática crença secular, não importa o que a realidade mostre: a meta deles é apenas afirmar e concretizar sua visão de mundo, mesmo que tenham que destruir o mesmo mundo para encaixá-lo em suas lentes — e matar, digo, quebrar uns ovos no processo. Querem somente ganhar uma guerra ideológica, alcançar o controle político. O poder não é meio: é fim.

A exemplo dos mencionados, Wilhelm Reich, psicanalista marxista, considerava a estrutura familiar tradicional “fascista” e até receitava traição como remédio para casais (não exatamente uma surpresa). A questão é: qual a definição desses autores para “fascista”? Parte da resposta pode ser encontrada com Herbert Marcuse (“tolerância repressiva”) e Theodor Adorno, que criou o “índice ‘F’ para fascismo” (isso mesmo!), ambos autores de forte influência marxista, membros da Escola de Frankfurt. Em poucas palavras: qualquer um que não seja eles, que não compartilhe de suas ideias, é chamado de “fascista”. Entendeu o que acontece hoje nas discussões políticas, do Facebook ao Congresso? Pois é. Assim, fica realmente fácil vencer atritos com gente despreparada, que se intimida facilmente, e fazer a cabeça de jovens impressionáveis, que querem estar do lado “do bem” e “da justiça social”. Ah, palavras! Semântica! Quem as controla, domina metade da vida — e conhece a outra.

Sim, sim. Em teoria, tudo é lindo. E adicione a isso que tais pessoas à esquerda do espectro político fazem da retórica e de acrobacias verbais uma arte, pois praticam isso há mais de século; ainda por cima, têm pouco ou nenhum compromisso com a verdade. Afinal, lógica e busca por verdade são luxos burgueses, da classe “opressora”. A esquerda busca algo mais: ela se importa com uma “verdade maior”, com uma narrativa pré-definida, com uma utopia — religião e infância emocional em uma ideologia só. Realmente, fica difícil convencer as pessoas de que espinafre tem gosto ruim, mas vai fazer bem para elas, enquanto alguém está vendendo chocolate como se fosse a coisa mais saudável do mundo. Mesmo que a História prove que este atraente chocolate já destruiu milhões de vidas e arruinou dezenas de países mundo afora.

De volta à Câmara: os deputados são representantes do povo. Democracia é isso. Não me espanta que sejam um retrato do brasileiro médio: falam com erros, adoram (ou dizem que adoram) a família, Deus, a mulher, o marido, os filhos… o Congresso é o povo brasileiro de terno e gravata. Nada mais.

É com um pequeno incômodo que, em partes, aceito o retrato do Brasil como aquilo? Sim. Mas tenho consciência de que sou um fortuito pós-graduado e razoável ateu que adora conhecimento. Não sou o brasileiro médio. Recolho-me à minha insignificância estatística, entendo que não tenho o direito de intervir no processo político para além de meu um voto — e de trabalhar nas eleições como mesário, forçado pelo porrete do Estado, este amigável monopolista da violência, na minha nuca.

Por fim, acato com tranquilidade que o Congresso é, de certa forma, o Brasil. Não somos — felizmente! — uma “elitocracia” ou uma “intelligentsiocracia”. E sou muito grato por isso. Democracia é outra coisa, por mais imperfeita que seja. Como disse Churchill: é o pior regime político, a não ser por todos os outros. Por exemplo, a ditadura marxista do proletariado que a (ex-)presidente Dilma, José Dirceu, Franklin Martins e outros tentaram implantar décadas atrás, no Brasil.

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