quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Caos estético IX: Sé

Por André,

Antigo shopping Mappin na Sé, centro de São Paulo

Leia a primeira postagem para a entender a série.

Torno a dizer que o Centro de São Paulo deve o exemplo mais emblemático à disposição de nós, paulistanos, do caos estético a que me refiro. Bem mais do que quem, como eu também, mora às margens da cidade. Isso porque nas margens a feiura sempre foi a regra governante, ao passo que quem corre os olhos atentamente pelo centro vê ainda alguns prédios conservados, vê outros destruídos ou simplesmente mal cuidados, por entre trechos claramente históricos que indicam um passado em que as coisas eram, pelo menos, mais bonitas. 

Acredito que esse seja, por definição, o quadro de caos estético em si mesmo: beleza entre a feiura extrema é mais caótico que a mera feiura geral, o choque no espírito pelo contraste é maior que pela constância.

Vale ainda adicionar um outro elemento sociológico à análise: muita gente se desloca de seus locais de residência para trabalhar ou negociar na Sé. Uns saem dos já feios bairros marginais e se chocam com uma cidade que maltrata o seu passado e que teve alguma grandeza nele; outros, saem de bairros mais "arrumados", que mesmo que não sejam bonitos são preservados, limpos e com algum verde e recebem o choque de pobreza que não estão tão habituados a ver (vale lembrar que compõe a apoteose dos sentidos do marco zero da cidade mendigos, pedintes, ambulantes, cães de rua, cheiro de urina, entre outros). O nervosismo e o caos estético são um corolário necessário dessa realidade.


Se definirmos o caos pelo contraste e não pela feiura absoluta, eis que temos essa paisagem na mesma Sé: uma estátua homenageando um de nossos pais fundadores, José Bonifácio - feiura, beleza e resgate histórico no mesmo bairro, eis a Praça do Patriarca.

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