sábado, 13 de janeiro de 2018

História, conservadorismo e empirismo: a tradição histórica inglesa

Do Facebook de Nicolas Carvalho de Oliveira,

Vocês já perceberam que entre os intelectuais da direita os historiadores profissionais (não os amadores, como Narloch) costumam ser os mais intransigentes e rígidos? Três exemplos rápidos, dos mais conhecidos: Robert Conquest (maior historiador da URSS, junto de R. Pipes e O. Figes; primeiro historiador do Grande Expurgo stalinista), o ''anti-bolchevique número um'', segundo Chris Hitchens, o que disse que ''todo mundo que não se diz de direita é de esquerda'', Paul Johnson (maior historiador-geral), defensor da Guerra do Vietnã, que em 1999 se expressou publicamente pela extradição de Pinochet para a Espanha (ele estava preso na Inglaterra) e admirava, com ressalvas, o general Franco, e Niall Ferguson, o historiador-celebridade do momento, apoiador da Le Pen e Guerra do Iraque, que também disse que a imigração dos refugiados sírios na Europa é como a antiga brutal invasão dos hunos na Alemanha, popularmente conhecida como Völkerwanderung (invasões bárbaras).

O que eu quero dizer com isso? Que o estudo intensivo de história cedo ou tarde acaba com seu idealismo e te torna um puro realista prático. Te faz compreender padrões pela história e perceber o que dá certo e o que dá errado, sempre encontrando analogias históricas com acontecimentos atuais. Esse realismo e intransigência não existe, no mesmo nível, entre os filósofos e economistas de direita tanto quanto nos historiadores. Estes são estudiosos da pura empiria, do que ocorreu, e entendem como a realidade é dura, decepcionante e cheia de dilemas, com poucas ocasiões em que as decisões são fáceis e completamente limpas, sendo mais questão de colocar na balança o que é mais importante e optar pelo ''mal menor'', que os idealistas tanto rejeitam por não combinar com sua Weltanschauung pouco embasada e muito hipertrofiada.

2 comentários:

  1. Tudo bem André? Parabéns pelo blog e pelos artigos interessantes que você nos traz. Os textos são, de fato, bem diferentes do que o brasileiro comum acessa e lê por aí. Eu queria saber se existem outros blogs como o seu que falam sobre política e cultura (em PORT/ING/ESP)?

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    1. Obrigado, meu caro! Fico muito honrado com as palavras!

      Olha, existem inúmeros blogs assim por aí, tem uma seleção um pouco desatualizada no canto inferior direito aqui do meu blog mesmo, você pode conferir alguns.

      Abraço.

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