domingo, 27 de maio de 2018

Os antissistema

Por André,


Você já deve ter ouvido alguém se dizer “contra o sistema” ou que tem por objetivo “derrubar o sistema”. Por mais que eu não faça a menor ideia o que exatamente é esse “sistema” e como ele pode ser derrubado ou substituído, é nítido que, no imaginário dessas pessoas, ser contra o sistema é apenas uma maneira de se dizer “anticapitalista”. As pessoas identificam vasta parte das mazelas que aí se encontram com o capitalismo e não, por exemplo, com a burocracia estatal, com o estamento. A saúde vai mal por causa do “sistema” e não graças à lógica mesma da prestação de serviços públicos (é da natureza da ideia de cobrar impostos que você receba como retorno menor do que foi obrigado a “investir”, afinal, se fosse para receber exatamente a mesma coisa, o intermediário poderia ser eliminado e se fosse pra receber mais seria uma equação em que o lado mais forte, da administração central, sai perdendo – a lógica dos impostos é a mesma de aguardar ansiosamente seu salário mensal, mas legar ao vizinho a tarefa de fazer as compras do mês). Não consigo conceber a que essas pessoas atribuem o bom funcionamento da internet, terreno (ainda) bastante desregulado e privado, embora as sanhas estatais sobre a internet tenham crescido vertiginosamente nos últimos anos. 

É raro, senão impossível, que eu passe por uma reunião com outros professores e não ouça algum muxoxo contra essa abstração chamada “sistema”. Crítica que traveste, consciente ou inconscientemente, uma forte mentalidade anticapitalista. Em livro homônimo, Ludwig von Mises fala da mentalidade anticapitalista existente em classes como artistas e intelectuais. Mas estes são anticapitalistas mais por desonestidade intelectual e menos por ignorância ou por nutrir a crença ingênua, e talvez honesta, que o “sistema” é capitalista e é causa das mazelas cotidianas no setor de serviços, por exemplo. Esse mito, alimentado particularmente por professores das áreas de ciências humanas, meus colegas de área do conhecimento, creio que revela algo mais profundo: a fortíssima tendência ao pensamento mágico na política. Uma espécie de crença que se o tal “sistema” mudasse, então tudo seria diferente para melhor. Muito da crença honesta na capacidade de medidas socialistas originam-se nessa forma mágica de pensar, que crê que problemas podem ser resolvidos a base de canetadas de burocratas ou após quebra-quebra de multidões ensandecidas.

Ser “contra o sistema” é apenas um chavão de pensamento de origem “anarcocomunista”, vazio como qualquer outro. Todo mundo é contra coisas erradas, todo mundo é, teoricamente, “contra o sistema”. O ponto nunca pode estar centrado nos aspectos mais genéricos e arbitrários, como esse. As questões são e sempre serão: você realmente sabe contra o que está se posicionando? Compreende, ainda que basicamente, as consequências da sua “queda do sistema”? Sabe qual “sistema” substituirá o atual? Pode oferecer um vislumbre do que vem depois da “queda do sistema”. As respostas para essas perguntas são, certamente, para a maioria dos “antissistema” que repetem aleatoriamente sua contrariedade, “não”. Contra o que há de errado, pontuando exatamente o que está errado e sugerindo soluções sim, “contra tudo que está aí”, não.

Um comentário:

  1. Desde quando Steven Pinker é esquerdista, meu filho? Para ser de direita é preciso defender o psyop da aparição de Fátima, ler René Guénon e outras coisas? Sugiro ver as conversas que o Pinker teve com seu amigo, Jordan Peterson.

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