sábado, 12 de maio de 2018

Um canalha pode ter razão?

Por André,




A tentação de incorrer numa falácia ad hominem contra um canalha é enorme: "Fulano não presta, logo, está errado".

A tentação é grande, mas em terreno puramente lógico, um canalha pode estar completamente correto (Hitler bebia água, Fulano bebe água, logo...).

CONTUDO, enquanto FATO BIOGRÁFICO e não como argumento, enquanto curiosidade digna de nota, digna de ser conhecida por todos os adeptos das ideias de determinado autor, isso se torna importante. Particularmente na modernidade, onde a importância dos sacerdotes se dirimiu e a dos intelectuais aumentou, tomando o lugar daqueles. Não é menção no mínimo justa para aqueles que alegam ter descoberto alguma fórmula nova para consertar a vida social por completo?

"(...) já é hora de examinarmos suas vidas, tanto em âmbito público como privado. Pretendo avaliar particularmente as credenciais morais e de julgamento que os intelectuais possuíam ou não para ditar regras de conduta à humanidade. Como administravam suas próprias vidas? Que grau de retidão demonstravam para com a família, os amigos e os companheiros? Eles eram honestos em seus relacionamento sexuais e financeiros? Será que falavam e escreviam a verdade? E até que ponto seus sistemas teóricos resistiram ao teste do tempo e da práxis?" (Paul Johnson, Os Intelectuais, p. 12).

Em suma: aqueles que se propuseram a gurus da humanidade, bastiões do mundo melhor, viviam pelo seu próprio livro de regras?

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