sábado, 21 de julho de 2018

20 de julho, aniversário da Operação Valquíria. Nazismo de extrema direita?

Por André,



Ontem foi 20 de julho, aniversário da Operação Valquíria, o mais próximo que se chegou de aplicar um golpe de estado em Adolf Hitler.

A cabeça da operação foi Claus Schenk Graf von Stauffenberg (1907-1944). A ocasião é mais uma boa oportunidade de relativizar o "extremo direitismo" do regime imposto por Hitler.

[https://pt.wikipedia.org/wiki/Claus_Schenk_Graf_von_Stauffenberg]

Antes, nunca é tarde lembrar que, independente das opiniões dos historiadores, a ideia que o comunismo soviético é um bastião do "combate ao fascismo" é fruto da propaganda e da desinformação soviética. Não que ocasionalmente a URSS não tenha de fato combatido o fascismo, mas o fez apenas quando era de seus melhores interesses, abandonando posições de aberto apoio no passado. Diversos livros registram esses sentimentos difusos de comunistas com relação aos fascistas. A postura, de início, era de oposição, quando Moscou anuncia o Pacto Ribbentrop-Molotov, seus satélites comunistas em outros países ficam confusos: "apoiamos ou lutamos contra os fascistas?". Cada partido comunista adotou posturas diferentes, o inglês ficou mais reticente com a nova amizade, o francês seguiu a matriz moscovita. Tudo isso se encontra bem descrito em Stalin's War, de Ernst Topitsch.

Mesmo depois, quando o atrasado exército vermelho ruma a Berlim, o faz vitaminado por dinheiro e armas americanas e livre dos ataques da Luftwaffe, destroçada pelas forças aéreas britânicas.

Claro que comunistas omitem todos esses fatos de suas narrativas históricas, visto que não contribuem para sua versão propagandística de puros combatentes do fascismo.

Outros fatos que merecem atenção:

- conteve a possibilidade do Anschluß o quanto pode o monarquista católico de extrema direita, Engelbert Dollfuss, que chegou a dissolver o partido nacional socialista na Áustria.

- o próprio Stauffenberg, motivo dessa postagem, também era um tradicionalista, monarquista, católico e portanto muito mais apto à classificação como "extrema direita". Seus valores não toleraram o genocídio nazista [https://www.mittelbayerische.de/politik-nachrichten/schwieriges-gedenken-an-stauffenberg-21771-art1094726.htm]. Todos que insistem no simplismo de chamar o nazismo de "extrema direita" precisam ser confrontados com esses e outros fatos.

Não se trata AQUI de afirmar que o nazismo seja de esquerda, mas apenas de relativizar cada vez mais a obviedade de seu "direitismo". Fato é que a coisa é tratada nos termos que é não graças ao trabalho de historiadores sérios, que consideram os fatos acima citados e outros (por que tantos partidos de extrema direita incluíam o "socialismo" em seu nome? Se Hitler era de extrema direita, o que eram católicos monarquistas como Stauffenberg, Dollfuss, o que era o Império Britânico e Winston Churchill e o que era o establishment norte-americano, todos NESSA MESMA ÉPOCA tão distintos do nacional socialismo?), mas no puro elemento propagandístico das estratégias soviéticas do pós-guerra.

A ideia de implantar na cabeça das pessoas que o racismo era de direita e que, portanto, o nazismo, que levou o racismo aos níveis de eugenia que conhecemos, era de extrema direita e a aceitação disso sem questionamento é fruto dessa peça de propaganda que, aliás, ainda funciona muito bem hoje.

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