sábado, 21 de julho de 2018

Legalizar diminui?

Por André,



Defensores da legalização do aborto (ou da legalização das drogas) usam, em sentido puramente estratégico, o "argumento" de que a legalização diminui a ocorrência dos fatos legalizados. Digo puramente estratégico primeiro porque não creio que a grande maioria esteja genuina e honestamente preocupada com a alta incidência de abortos ou de consumidores de maconha, por exemplo. E depois, se não há objeções morais ao aborto (e, por consequência, não deve haver ônus legal sobre ele), por que é um fato a se lamentar que esteja ocorrendo em escala industrial? Se praticar o aborto tem o mesmo estatuto moral de remover um tumor é no mínimo neutro - para não dizer digno de comemoração - que as pessoas estejam fazendo isso em escala industrial. O mesmo para maconha, se a droga não faz mal algum, não há motivo para que seja criminalizada, por que não é digno de celebração que as pessoas estejam comendo-a no café da manhã?

Esse argumento nada mais é que um dos componentes da linha de frente da agenda abortista. É, como eu digo, um dos elementos do cavalo de Tróia que são os conteúdos das narrativas progressistas que observamos no debate público atual. Serve para enganar os desavisados, incautos, para mover a janela de Overton sobre o assunto de intolerável para "aceitável" ("é tão bom que a quantidade até diminui").

Porém, a realidade sempre é mais complexa que as narrativas, a realidade é uma barra de titânio contra um canivete vagabundo no altar da ideologia.

No Uruguai, a legalização da maconha não reduziu o tráfico (se se trafica mais, é porque se consome tanto quanto ou mais): https://g1.globo.com/…/legalizacao-da-maconha-nao-diminuiu-…

Na Suécia, laboratório social de agendas progressistas desde a metade do século passado, observa-se o mesmo com relação ao aborto.

O aborto foi legalizado em 1939, com a ocorrência de 439 casos. Em 2015 ocorreram 38.071 casos.

Só houve quedas entre alguns anos da década de 50. E uma rota de ascensão a partir de 1974, quando chegou à casa dos 30 mil e nunca mais baixou a marca.

E não, isso não se explica pelo crescimento populacional.

De 1950 a 2017 a população sueca se multiplicou em 1,43. A taxa de abortos em 86,72.

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