quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Guia politicamente incorreto sobre Michel Foucault

Por André,



«Durante suas visitas aos Estados Unidos no final dos anos setenta, Foucault ficou fascinado pelo panorama homossexual de San Francisco com suas termas, bares gay, correntes, chicotes e rituais sadomasoquistas. O sadomasoquismo em especial representava o que Foucault chamou uma "experiência-limite", uma situação-limite existencialista na qual as forças vitalistas do ego poderiam livrar-se da "falsificação do prazer através do sexo eminentemente genital". Foucault veio a acreditar no que Artaud discutira nos anos quarenta, que "o corpo humano é uma bateria elétrica cujas descargas foram castradas e reprimidas" por tabus civilizados. Isso incluía o toma-lá-dá-cá da dor como um ritual sexual no qual, a experiência de extremo sofrimento nos indica as fronteiras do comportamento humano". Sob o chicote ou as pulseiras de ferro o corpo inteiro se torna um campo energizado para um "jogo da verdade" nietzschiano. [...] Ao constatar que havia contraído AIDS como consequência de sua busca de perversão sexual, Foucault também deduziu que essa era apenas outra experiência-limite: o sexo como uma forma de morte, assim como também o poder de conceder a morte a outro através do sexo. «Durante pelo menos dois anos após ter contraído AIDS (de 1982 a 1984), Michel Foucault continuou frequentando os vários locais de orgia gay, transmitindo intencionalmente a doença para seus parceiros anônimos. "Estamos inventando prazeres novos além do sexo", falou Foucault a um entrevistador - nesse caso em particular, o sexo como assassinato."» (Arthur Herman, A ideia de decadência na história ocidental. Record, 1999, p. 370-371).

«Michel Foucault se autoproclamou pedófilo» (Thomas E. Schmidt, La homosexualidad: compasión y claridad en el debate. Editorial Clie, 2008, p. 64).

«Foucault se opôs à criminalização do estupro.» (Terry Eagleton, A ideologia da estética. Jorge Zahar editor, 1993, p.284).

«Foucault defendia a descriminalização de todo tipo de sexo, incluindo o incesto, a pedofilia e o estupro.» (James Miller & Jim Miller, The Passion of Michel Foucault. Harvard University Press, 2000).

«Foucault via a experiência da AIDS como desdobramento da experiência orgiástica. Morrer de tanto prazer. [...] O sexo como valor supremo da existência, cujo heroísmo pode ser mensurado pela busca do prazer ilimitado. O ilimitado é inatingível, conferindo valor ao signo que se arrisca nas escarpas da transgressão, buscando desfazer-se de seu ser letra, tornando-se corpo significante, corpo suporte, corpo em pedaços, à caça de sensações cada vez mais intensas, em busca do êxtase infinito, final, fatal.» (André Queiroz & Nina Velasco e Cruz, Foucault hoje? - Rio de Janeiro: 7Letras, 2007, p. 182-183).

«Michel Foucault acreditava que era mais factível encontrar a emancipação moral e política apedrejando policiais, frequentando banhos gays de São Francisco ou os clubes sadomasoquistas de Paris, do que nos bancos escolares ou nas urnas eleitorais. E em sua paranoica denúncia dos estratagemas de que segundo ele se valia o poder para submeter a opinião pública aos seus ditames, negou até o final a realidade da AIDS, a doença que o matou, considerando-o como uma fraude a mais do establishment e dos seus agentes para aterrorizar os cidadãos, impondo-lhes a repressão sexual. » (Mario Vargas Llosa, "Breve discurso sobre a cultura". Revista Dicta&Contradicta, n. 6).

«Foucault propunha a total renúncia às noções de razão e desrazão, de verdade e falsidade, e até mesmo do ser humano enquanto ser espiritual e mental. » (Arthur Herman, A ideia de decadência na história ocidental.Record, 1999, p.364).

«A transvaloração dos valores de Nietzsche se tornou para Foucault um programa infinito de "transgressão", a declaração de uma guerra contra a sociedade por meio da celebração do crime e da perversão sexual. » (Arthur Herman, A ideia de decadência na história ocidental. Record, 1999, p. 366-367).

«Foucault dizia: "Não existe o corpo natural, inclusive seus atributos biológicos se criam através de discursos científicos e outros discursos sociais."» (Mónica Cevedio, Arquitectura y género: espacio público-espacio privado. Icaria Editorial, 2003, p. 18).

Para Foucault, «o poder moderno a respeito da vida, o “bio-poder”, consiste da opressão de corpos individuais e do comando de populações, ambos se ligando em prol da normatização da reprodução». «A gestão da via se reveste de todo um aparato político. A defesa da vida enquanto tal, como fazem os movimentos contra o aborto, encobre outros desígnios; afinal o controle do corpo das mulheres e da procriação, que produzem a hierarquia e a assimetria política entre os sexos, técnica de controle das populações.» (Cf. Alfredo Veiga Neto & Margareth Rago, Para uma vida não-fascista. Autêntica, 2013, p. 390; Michel Foucault, Microfísica do poder).

Um comentário:

  1. Boa lista. Roger Scruton e Mark Lilla deram boas lapadas no Fucô, respectivamente, em "Pensadores da nova esquerda" e "A mente imprudente"

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