domingo, 30 de setembro de 2018

Tribunais raciais avançam no Brasil e confirmam previsão minha

Por André,

Depois da famigerada tabela do Instituto Federal do Pará para definir quem é negro e quem não é:


Vem aí, promovido pela Universidade Federal do ABC, um curso preparatório para inquisidor de tribunal racial:




Em 2013 eu escrevi um texto prevendo o colapso da política de cotas (link no final) porque ela se baseava em autodeclaração, cada um se autodeclararia o que quiser e, por conseguinte, gente que não faz parte do grupo em questão se beneficiaria da ação ao se autodeclarar pertencente ao grupo beneficiado, inchando o número de beneficiários e anulando qualquer efeito razoável da medida.

Na minha impressão estava implícito que os responsáveis não teriam coragem de estabelecer tribunais raciais para avaliar quem é negro e quem não é, à moda lombrosiana, medindo tamanho de nariz, crânio, lábios e avaliando cor da pele, do cabelo, tipo de cabelo etc. E aí estava meu equívoco.

Depois da federal do Maranhão oferecer uma tabela pra preencher baseado em características fenotípicas, vem a UFABC oferecer uma oficina para treinar os futuros inquisidores na avaliação da raça de pleiteantes a vagas na universidade pela via das cotas.

A universidade também está em processo de estabelecer os critérios para conceder cotas a pessoas trans, que seguirão o mesmo caminho e enfrentarão o mesmo problema (se não há dado objetivo que determine o gênero de alguém, como saber objetivamente o gênero de um indivíduo com base no "olhometro"?).

Bem-vindos ao hospício.

Texto de 2013 onde eu previa o problema para a política de cotas: http://www.andreassibarreto.org/2013/11/o-problema-da-definicao-como-politica.html.

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