quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Tradução para o Burke Instituto: "Radicais Tristes"

Por André,

Quando me tornei anarquista, tinha 18 anos, estava deprimido, ansioso e pronto para salvar o mundo[i]. Me mudei para junto de outros anarquistas e trabalhei num café cooperativo vegetariano. Protestei contra o endividamento de estudantes, a privatização das penitenciárias e das extensões de gasodutos. Tinha números de telefone de advogados escritos no meu tornozelo e ajudava amigos que haviam sido atingidos por spray de pimenta em manifestações. Diagramava revistas, vivia com a minha “família por escolha” e declamava poemas surrados sobre o fim do mundo. Tudo enquanto minha comunidade desconstruía o gênero e a monogamia, além de questões sobre saúde mental; vivíamos e respirávamos conceitos e ferramentas como o denuncismo imediato contra qualquer forma de intolerância (call-outs), “interseccionalidade”, apropriação cultural, alertas de gatilho (trigger warnings), lugares seguros (safe spaces), teoria do privilégio e cultura do estupro.

O que é uma comunidade radical? Para os propósitos desse artigo, definirei comunidade radical como aquela que compartilha tanto uma ideologia de insatisfação completa com a sociedade existente devido a sua natureza opressora quanto um desejo de alterá-la radicalmente (ou destruí-la) porque ela não pode ser redimida por suas próprias regras[ii]. Ao fim, acabei deixando minha comunidade radical. A ideologia e as pessoas que a compunham me deixaram destruído e como um náufrago desiludido. Conforme me livrava da doutrina, assisti uma versão diluída da minha ideologia radical explodir na academia e entrar na moda: observei a Esquerda se tornar “lacradora” (woke)[iii].

Alguns comentadores alfinetaram justiceiros sociais a respeito da toxicidade da mentalidade lacradora (woke). Muitos radicais por toda a América estão cientes disso e estão tentando compreender o fenômeno. O livro Joyful Militancy, de Nicholas Montgomery e Carla Bergman, publicado ano passado, constitui a observação mais minuciosa da radicalidade tóxica desde uma perspectiva radical (tive um breve encontro com Nick Montgomery anos atrás. Minha claque anarquista não gostava da claque anarquista dele). Como ele próprios dizem, “há uma suave subcultura totalitária não apenas no hábito do denuncismo, mas também em como as comunidades progressistas policiam e definem as fronteiras que determinam quem está dentro e quem está fora”.

Montgomery e Bergman veem o radicalismo tóxico como uma questão exógena. Não ponderam a hipótese de o radicalismo ser ele próprio malévolo. Como resultado, as soluções que propõem são abstratas e vacilantes, como “aumentar a sensibilidade e vivenciar situações de maneira mais plena”. Talvez isso seja o porquê as soluções existem todas para além das fronteiras do pensamento radical. Conforme Jonathan Haidt apontou, “a moralidade limita a visão e restringe”.

Infelizmente, a toxicidade nas comunidades radicais não é um equívoco. É um traço. A ideologia e as normas do radicalismo evoluíram para produzir sujeitos tóxicos, paranoicos e deprimidos[iv]. O que vem a seguir é um panorama do que acontece em comunidades que são radicais, apaixonada e sinceramente lacradoras (woke), visto da perspectiva de um apostata.

CONTINUA EM BURKE INSTITUTO CONSERVADOR:

https://www.burkeinstituto.com/blog/especial/radicais-tristes/

Também em versão revisada no:

https://xibolete.uk/radicais-tristes/

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