domingo, 17 de fevereiro de 2019

Brexit, filme da HBO

Por André,




Assisti "Brexit", produção própria da HBO sobre o principal evento político do Reino Unido em décadas.

A narrativa é construída a partir da perpectica de Dominic Cummings, encarnado por Benedict Cumberbatch (Dr. Estranho).

O enredo, como se esperaria de uma produção da HBO, é maniqueísta e relata remainers como bonzinhos que lutavam pela economia e pelos empregos com argumentos racionais e leavers como sentimentalistas - curioso, não? Quem leu "Podres de Mimados: as consequências do sentimentalismo tóxico bem sabe quem investiu no sentimentalismo como moeda política nos últimos tempos - irracionais e trapaceiros. Mas acho que quem se interessa pelo assunto pode ver o filme.

Cummings foi uma espécie de Bannon/Alinsky do Brexit. O estrategista amoral e clinicamente cirúrgico que foi atrás da estratégia da vitória. Só que agiu bem mais por trás das cortinas que um Bannon, por exemplo. Tanto é que mesmo eu, que acompanho o debate sobre o Brexit desde 2015, antes do referendo, só vim a conhecê-lo bem depois.

Me parece que muita gente ainda não compreendeu (ou só lembrou dele depois de levar um belo by-pass) um fato elementar: a política, MUITO ANTES DE 2016, é dirigida no andar de cima por forças obscuras, por lobismo de grupos de interesse e jogos de poder. TODOS sempre fizeram isso (de todos os lados possíveis do espectro), apenas com recursos diferentes, limitados pelo tempo. Nesse aspecto, o filme contribui para essa impressão, embora possua diálogos que ao menos tentam esclarecer isso.

A novidade substancial dos anos recentes é o uso das redes sociais para a mesma finalidade da política de sempre. Isso colocou o foco do lobismo menos em figurões e em parlamentares, por exemplo, e mais nas pessoas que precisam ser convencidas a ir votar ou a escolher lados e que estavam acostumadas a ser absolutamente esquecidas e foram colocadas na rota das decisões pela descentralização da informação via redes sociais.

Digo isso porque o filme sugere, é claro, que o resultado foi manipulado via redes sociais, via hackers, via tecnologia. Nesse sentido, a aplicação política da tecnologia é como a aplicação de qualquer tecnologia: é amoral, a virtude de sua aplicação depende do aplicador. A esquerda com as mesmas armas na mão faria o mesmo uso ou pior.

It's the new politics, folks. E está só começando. A esquerda que dominava o debate político ainda não está conseguindo lidar com isso adequadamente, it's the new era. O afegão médio está de volta à arena.

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