sábado, 27 de abril de 2019

THANOS É UM REVOLUCIONÁRIO

Por André,



THANOS É UM REVOLUCIONÁRIO

Nas HQs, o titã Thanos quer eliminar metade do universo para impressionar Hela, sua naramorada (g4d0 d+). No filme as intenções do vilão são mais nobres, afinal, o caminho para o inferno sempre está pavimentado de boas intenções. Os recursos naturais do Universo estão se esgotando, a fome se alastrando. Uma solução para esses problemas? Uma alteração radical, ainda que rápida e indolor, na ordem da realidade: metade dos seres vivos eliminados num estalar de dedos. E pronto. O problema da pobreza, das "barrigas vazias" e do meio ambiente do Universo estão resolvidos.

Thanos é um malthusiano. É o Malthusithanos. A crença do titã louco é uma figurinha carimbada e um trombetismo do apocalipse já conhecido por aqueles que já leram sobre Thomas Malthus, que afirmava que o controle populacional radical era necessário ou, do contrário, os recursos naturais do planeta iam se esgotar e a população crescente ia morrer de fome e inanição. Desnecessário dizer que dessas ideias para o genocídio é um pulo.

Thanos, como todo bom ditador egótico e bem-intencionado, quer salvar o mundo e acha que encontrou a fórmula. Ele só quer as crianças felizes, de barriga cheia e com o meio ambiente funcional. Os fins nobres justificam os meios não tão nobres. As intenções de Thanos, corrigir os equívocos da realidade num golpe curto de alguém que "sabe" como fazer não o coloca nem um pouco longe de um Hitler ou Stalin. Quem se puser no meio do caminho não é menosq que um inimigo desse futuro paradisíaco de ordem universal corrigida. Isso está expresso em Vigadores Guerra Infinita.

Em Ultimato, a mentalidade revolucionária de Thanos fica completamente desnudada. Seu projeto revolucionário falha, a desejada correção na ordem da realidade não funcionou, pelo contrário, a realidade se tornou completamente disfuncional, as metrópoles faliram, o Universo não prosperou.

O que se esperaria de uma mentalidade prudente? Uma retirada, um pedido de desculpas, passos atrás, o reconhecimento humilde que não é possível conhecer uma fórmula final para solucionar todos os problemas da realidade. George Orwell dizia que um problema com o discurso revolucionário é que ele dizia ser necessário quebrar alguns ovos para a omelete vir (i.e., para o paraíso ser instalado na terra será necessário matar alguns problemas no meio do caminho), o problema é que o omelete nunca vem.

Mas um revolucionário nunca admite seus erros. Como dizia Brecht, "quanto mais inocentes são, mais merecem morrer". Thanos agora não pretende aniquilar metade do Universo, mas o Universo inteiro para remodelá-lo à sua imagem e semelhança, sem que ninguém possa carregar a memória do passado imperfeito.

A crença na posse do conhecimento adequado para corrigir a ordem da realidade, as boas intenções, a ética dos fins justificando os meios e o método radical e repentino de fazer essa correção fazem de Thanos o arquétipo do revolucionário.


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